Dos 155 políticos eleitos pelo PL em 2026, 133 (86%) não reconheceram publicamente a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial em suas manifestações sobre o resultado. Os dados são de um levantamento do jornal O GLOBO, publicado na madrugada desta sexta-feira (30), que também contou 37 eleitos (cerca de 24%) que endossaram ou compartilharam a carta de Flávio Bolsonaro com acusações de fraude eleitoral.
O que o levantamento contou
O universo analisado pelo jornal soma 121 deputados federais, 28 senadores e seis governadores eleitos pelo partido. Segundo o jornal, foram examinados vídeos e mensagens publicados em redes sociais depois do segundo turno. Apenas 22 eleitos (14%) reconheceram a vitória de Lula. A diferença final entre Lula e Flávio foi de cerca de 4,4 milhões de votos, de acordo com a reportagem.
O próprio levantamento faz uma ressalva importante: os 86% reúnem posturas diferentes. O grupo inclui quem não publicou nada sobre o resultado, quem apenas lamentou a derrota ou criticou decisões judiciais, e quem levantou suspeitas de fraude ou pediu a anulação da votação. Por isso, o número não indica que todos esses parlamentares concordem com o questionamento das urnas.
Quem endossou a carta e quem reconheceu o resultado
Entre os que endossaram o documento, o jornal cita o senador Magno Malta (ES) e os deputados Gustavo Gayer (GO), Zé Medeiros (MT), Jorge Seif (SC) e Nikolas Ferreira (MG). A reportagem diz que Gayer e Malta levantaram acusações de fraude sem apresentar evidências, e que o deputado Lucas O Federal da Direita (ES) defendeu a anulação do segundo turno sem provas.
No sentido oposto, um grupo minoritário reconheceu a derrota: o senador Marcio Bittar (AC) e os deputados André Fernandes (CE), Major Vitor Hugo (GO) e Rosangela Moro (PR), entre outros. Vitor Hugo argumentou, segundo o jornal, que a margem de votos e o reconhecimento por instituições tornam improvável uma reversão.
Prorrogação da votação
Parte das críticas de aliados de Flávio se concentra na prorrogação do horário de votação no segundo turno, de 17h para 19h. O GLOBO afirma que apenas 35 mil votos foram computados nesse período, número que, segundo a reportagem, é inexpressivo diante da diferença entre os candidatos. A reportagem registra que não há comprovação de fraude.
Contexto
O levantamento surge depois de Flávio deixar o Brasil e descumprir a ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, para entregar os passaportes. Ele divulgou a carta, retirou dela a expressão que o apresentava como presidente eleito e passou a se descrever como líder do Brasil, mantendo o questionamento ao resultado. Dirigentes do PL, segundo o jornal, tentam conter o desgaste e temem novas declarações do senador nos Estados Unidos. Este portal já noticiou que aliados de Flávio atribuíram erros da carta ao ChatGPT e que o PL teria pedido recuo e que 27 partidos reconheceram a vitória de Lula.
O que falta
Este portal não teve acesso à base de dados do jornal nem verificou individualmente cada manifestação; os números são da reportagem e o critério (ausência de manifestação conta como não reconhecimento) é do veículo. O PL e os parlamentares citados não foram ouvidos por este portal.






















