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Vorcaro diz à PF que pretendia deixar o Master e nega promessa de imóveis

Em vídeo de depoimento de 15 de outubro, tornado público ontem, o fundador do Master nega ter prometido apartamentos ao ex-presidente do BRB e culpa a liquidação pela crise do banco.

Fachada do edifício-sede do Banco de Brasília (BRB), com o letreiro do banco e bandeiras na entrada.
Edifício-sede do BRB, em Brasília, em 31/10/2019. Foto de arquivo: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília — CC BY 2.0. A imagem não registra o depoimento de Vorcaro. Origem da fotografia. Condição de uso.

Em depoimento à Polícia Federal prestado em 15 de outubro, o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou que pretendia deixar a presidência da instituição e negou ter prometido imóveis a Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB, como contrapartida por operações entre os dois bancos. O vídeo foi tornado público e enviado ao Supremo Tribunal Federal na quinta-feira (29), segundo reportagens do Poder360 publicadas entre a noite de quinta e a madrugada desta sexta (30). O Poder360 diz ter procurado a defesa de Costa e não ter obtido resposta até a publicação.

A versão de Vorcaro

Vorcaro disse que o plano era uma reorganização societária com o BRB, formando um conglomerado em que Master e BRB manteriam operações próprias, mas teriam estrutura comum perante o Banco Central. Nesse cenário, afirmou, ele deixaria a gestão do Master, em parte por pressão do mercado e por resistência pessoal contra ele, e Costa chegou a ser considerado para um cargo executivo no novo grupo.

Sobre os apartamentos em Brasília e São Paulo, disse que a oferta era de moradia como benefício do cargo, caso a fusão saísse: “Eu não prometi imóvel para ele”, afirmou. Segundo ele, uma eventual compra viria depois, ligada a bônus e remuneração, a reorganização não foi concluída e Costa nunca morou nos imóveis.

O que a investigação sustenta

De acordo com o Poder360, a PF aponta indícios de pagamento de propina e lavagem de dinheiro pela compra de seis imóveis de luxo em São Paulo e Brasília, avaliados em R$ 146,5 milhões, e afirma que Costa autorizou a compra pelo BRB de cerca de R$ 12 bilhões em “créditos podres” do Master. A PF registra que o BRB transferiu cerca de R$ 12,2 bilhões ao Master em cessões de crédito entre dezembro de 2024 e maio de 2025, mesmo após alertas formais e pareceres contrários. Vorcaro nega envolvimento no esquema.

A crise do BRB e a “casa”

Vorcaro sustentou que a crise do BRB não foi causada por ele, mas pela liquidação do Master e por sua prisão, que teriam levado a saques de R$ 9 bilhões no banco público. Contestou que o impacto de R$ 12,2 bilhões seja perda definitiva, disse que os ativos entregues em substituição podem cobrir o valor e defendeu uma perícia independente. A delegada Janaína Palazzo respondeu, segundo o Poder360, que a troca posterior de ativos não anula a necessidade de apurar a negociação original de carteiras sem comprovação de lastro.

Ao ser questionado sobre as carteiras, ele comparou a operação à promessa de compra e venda de uma casa que não chega à escritura por falta de documentos. A delegada contestou: para a investigação, as carteiras foram incorporadas ao sistema do Master, registradas e negociadas com o BRB. Vorcaro admitiu pendências documentais, que diz terem sido corrigidas, e pediu a revogação da prisão.

O que ainda falta

Este texto se baseia nos relatos do Poder360; o vídeo e a íntegra do depoimento não foram vistos por este portal. As declarações são a versão de Vorcaro e não decisão judicial, e a manifestação da defesa de Costa não havia sido publicada. Sobre o mesmo caso, veja a fala do ex-presidente do BRB à PF, o indiciamento de Vorcaro e de outros 14 e a perícia contratada pela defesa.

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