Economia

Governo avalia nova rodada de corte de benefícios tributários; Lula não decidiu

Medida entraria no pacote para reforçar o resultado fiscal; ainda não há decisão do presidente sobre corte linear ou ação focada, e as renúncias somam R$ 612 bilhões em 2026.

Prédios de ministérios alinhados na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, ao entardecer, com bandeiras e um espelho d'água em primeiro plano.
Esplanada dos Ministérios, em Brasília, em 2/9/2025. Foto de arquivo: Agência Senado — CC BY-SA 4.0. A imagem não registra a discussão sobre benefícios tributários. Origem da fotografia. Condição de uso.

A equipe econômica do governo Lula tem no radar uma nova rodada de redução de benefícios tributários entre as medidas para melhorar a trajetória fiscal nos próximos anos. Seria mais uma ação pelo lado da receita, que permite falar em ajuste sem atingir programas sociais. Segundo a coluna que revelou a discussão, publicada nesta sexta-feira (6), não há decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre seguir por esse caminho.

Corte linear ou ação focada

No ano passado, o governo aprovou no Congresso um corte linear de 10% em parte significativa dos chamados gastos tributários, mas ficaram de fora grandes benefícios, como a Zona Franca de Manaus, o Simples e outros previstos na Constituição. Agora, o governo avalia se tenta novo corte linear, possibilidade já mencionada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante a campanha eleitoral, ou se mira benefícios específicos com distorções mais evidentes. A tese é defendida em círculos petistas e por economistas de diferentes linhas, inclusive ortodoxos.

O tamanho das renúncias

  • O Demonstrativo de Gastos Tributários, anexo do Orçamento, estima as renúncias fiscais de 2026 em R$ 612 bilhões, ou 4,4% do PIB.
  • Para 2027, a projeção é de R$ 443,3 bilhões (3% do PIB). A queda decorre de a Receita ter excluído da conta os incentivos ligados a PIS e Cofins, extintos pela reforma tributária.
  • A CBS, tributo que substitui essas contribuições, terá incentivos próprios, mas a renúncia não foi calculada porque a proposta orçamentária foi enviada antes de definições como a alíquota.

Argumentos a favor e contra

Os defensores veem na redução de incentivos uma forma de reforçar o caixa, avançar mais rápido para um resultado primário positivo (receitas menos despesas antes dos juros) e melhorar a alocação de recursos na economia. O contraponto é que, em meio a desaceleração, mudança do sistema tributário, cenário externo adverso e juros altos, medidas que elevam custos das empresas podem reduzir ainda mais o dinamismo e pressionar preços em setores específicos.

O que falta

A medida é uma hipótese em discussão, não uma decisão do governo. O debate se soma ao quadro de piora de R$ 26 bilhões no Orçamento de 2027 e à reunião de Lula com Durigan e economistas sobre o ajuste.

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