Brasil

Edir Macedo critica lema “Deus, pátria e família”; fala é de 25 de outubro

Declaração do líder da Universal viralizou no fim de semana, mas foi dada em culto no domingo do 2º turno; a igreja se manteve longe da disputa presidencial, diz reportagem.

Montagem com retrato de arquivo do bispo Edir Macedo, sorrindo, à esquerda, e a bandeira do Brasil à direita.
Montagem com foto de arquivo de Edir Macedo (Ricardo Stuckert/Palácio do Planalto, 27/9/2007, licença de atribuição) e a bandeira do Brasil, em ilustração. A imagem não registra o culto em que ele falou. Origem da fotografia. Origem da bandeira.

O bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, criticou o lema “Deus, pátria e família”, associado à família Bolsonaro, em um trecho de culto que circulou nas redes neste fim de semana. Segundo o blog Sonar, de O Globo, a fala não é recente: foi dada na manhã de 25 de outubro, domingo do segundo turno, e só viralizou depois da eleição.

O que ele disse

No trecho divulgado, Macedo contesta a ordem do lema e coloca a família à frente do Estado. “Primeiro Deus, segundo a família, e terceiro o Estado”, afirmou, segundo a reportagem, acrescentando que na Universal essa hierarquia é a prioridade. Ele também questionou se haveria pátria sem família. O jornal liga o lema à família Bolsonaro; nos trechos lidos, o bispo não cita nomes de políticos.

A Universal na eleição

De acordo com O Globo, a Universal manteve distância da disputa entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), ao contrário de 2022, quando apoiou a reeleição de Jair Bolsonaro. No primeiro turno, a igreja fez uma campanha espiritual para eleger nomes ligados a ela ao Legislativo, mas o resultado ficou aquém do esperado, segundo a reportagem:

  • metade dos 12 deputados da Universal que tentaram a reeleição, todos do Republicanos, não se reelegeu;
  • em São Paulo, Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos, caiu de 231 mil votos em 2022 para 196 mil;
  • no Rio, Benedita da Silva (PT) e Marcelo Crivella (Republicanos) foram superados na disputa ao Senado por Carlos Jordy e Carlos Portinho, ambos do PL.

Para analistas ouvidos pelo jornal, o resultado indica que políticos evangélicos que se aproximaram do bolsonarismo, com o aval de suas igrejas, vêm perdendo espaço entre eleitores evangélicos que decidem sem a orientação de pastores ou bispos.

O que não está dito

A reportagem não diz que a fala tenha sido uma resposta à saída de Flávio Bolsonaro do país, já que foi dada antes dela, e não traz manifestação de Macedo ou da Universal sobre a repercussão. O texto foi publicado às 10h19 e atualizado às 14h51 desta segunda-feira (2).

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