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Seis senadores derrotados deixam o Congresso com casos no STF, diz levantamento

Levantamento mostra que seis dos 18 senadores derrotados na reeleição respondem a investigações ou ações no Supremo e perderão as prerrogativas do cargo em 2027; os citados negam irregularidades.

Fachada do Congresso Nacional em Brasília, com as duas torres e a cúpula do Senado sob céu azul
Fachada do Congresso Nacional, em Brasília, em 4 de agosto de 2026. Foto de arquivo: Senado Federal — CC BY-SA 4.0. A imagem não mostra os senadores citados. Origem da fotografia. Condição de uso.

Seis dos 18 senadores que disputaram a reeleição e foram derrotados nas urnas têm investigações ou outros procedimentos em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF) e deixarão o Congresso em janeiro de 2027 com essas pendências, segundo levantamento publicado pelo Estadão nesta segunda-feira (2). A reportagem põe o caso em perspectiva com o de Flávio Bolsonaro (PL), que deixou o país depois de o ministro Alexandre de Moraes impor medidas cautelares.

O que mostra o levantamento

Os procedimentos são de naturezas e estágios diferentes, de investigações criminais a queixas-crime e apurações sobre emendas parlamentares. Entre os casos citados pelo jornal:

  • Ciro Nogueira (PP-PI) é investigado por suspeitas de atuar em favor do Banco Master em troca de vantagens indevidas; a Polícia Federal (PF) aponta indícios de pagamentos de Daniel Vorcaro entre 2024 e 2025 por meio de empresas ligadas às famílias dos dois. Ele nega irregularidades.
  • Weverton Rocha (PDT-MA) é alvo de apuração por lavagem de dinheiro ligada às fraudes no INSS e responde a outro procedimento, relatado pelo ministro Flávio Dino, sobre suposta tentativa de interferir na investigação da morte de um empresário no Maranhão. Ele nega as acusações e diz que as movimentações investigadas decorrem de atividades profissionais declaradas à Receita Federal.
  • Carlos Viana (PSD-MG) é citado em apuração relatada por Dino sobre R$ 3,6 milhões em emendas para a Fundação Oásis, ligada à Igreja Batista da Lagoinha. Há auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) com entrega prevista até dezembro. Ele nega irregularidades.
  • Carlos Fávaro (PSD-MT) teve emendas indicadas submetidas a auditorias em ação relatada por Dino e foi alvo de pedido de impeachment no STF, sob relatoria de Luiz Fux, sem decisão de admissibilidade registrada. Ele nega irregularidades nas emendas.
  • Renan Calheiros (MDB-AL) enfrenta ações no Supremo apresentadas por Arthur Lira (PP-AL), eleito senador em 2026, por declarações sobre orçamento secreto e interferências na PF.
  • Zenaide Maia (PSD-RN) é alvo de queixa-crime por supostos crimes contra a honra, apresentada por uma advogada.

O levantamento lembra ainda o caso de Zequinha Marinho (Podemos-PA), réu por suspeita de exigir repasse de parte dos salários de funcionários de gabinete, que está na origem da decisão do STF sobre foro. A reportagem diz que todos os citados foram procurados e que o espaço segue aberto a manifestações.

O que muda com o fim do mandato

Em março de 2025, o STF decidiu, por sete votos a quatro, que o foro por prerrogativa de função é mantido após o fim do mandato quando os crimes investigados ocorreram durante o exercício do cargo e têm relação com ele. Por isso, a derrota nas urnas não transfere automaticamente os processos à primeira instância; será preciso avaliar, caso a caso, se cada suspeita se liga à atuação parlamentar, como observa o criminalista Marcelo Crespo, citado na reportagem.

Sem o mandato, os ex-senadores perdem proteções como as restrições à prisão de congressistas e a possibilidade de o Senado suspender o andamento de certas ações penais. Para o professor do Insper Luiz Gomes Esteves, também ouvido pelo jornal, eles perdem ainda parte da capacidade de mobilizar ex-colegas em sua defesa, o que reduz o custo político de decisões judiciais.

O caso de Flávio Bolsonaro

Segundo a reportagem, Moraes determinou na segunda-feira (26) a apreensão dos passaportes de Flávio, a proibição de deixar o país e de contato com outros investigados, em apuração sobre lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o advogado Willer Tomaz. O senador deixou o Brasil no dia seguinte, rumo aos Estados Unidos, e a PF cancelou seus passaportes brasileiros. Flávio também é investigado pelo financiamento do filme Dark Horse, que ele diz ter buscado patrocinar com recursos privados, sem irregularidades.

O que falta saber

Os procedimentos têm estágios distintos, e a existência de investigação não equivale a condenação. A reportagem não informa prazos para decisões sobre cada caso.

Fontes

Estadão, levantamento sobre senadores derrotados com procedimentos no STF (consulta em 2/11/2026, 14h).

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