O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), afirmou ao Estadão que o presidente Lula fará o equilíbrio fiscal com corte de privilégios e desperdícios, e não de programas sociais. Fonteles é um dos nomes cotados para o Ministério da Fazenda no quarto mandato, mas disse que não tratou de cargo com Lula. A entrevista foi publicada neste sábado (31).
O que ele disse sobre o ajuste
Fonteles disse que não costuma usar a palavra “ajuste” e prefere “equilíbrio fiscal”, porque há várias formas de buscá-lo. Segundo ele, isso envolve cortar privilégios e desperdício, sem prejuízo social e sem mexer nos programas que o presidente prometeu manter na campanha. Sobre medidas específicas, afirmou que não podia entrar no debate.
Ele defendeu que Lula concilia as agendas social, de investimento público e de responsabilidade fiscal, lembrou os superávits primários dos dois primeiros governos e disse que o terceiro herdou um déficit grande. Também argumentou que a trajetória da dívida pública precisa ser sustentável em algum horizonte de tempo, para que os juros caiam e a economia cresça. Segundo o governador, o déficit primário recente decorre de operações de crédito usadas em investimentos, o que o tornaria saudável; trata-se de avaliação dele, que este portal não verificou com números.
Sobre o cargo
O governador negou ter conversado com Lula sobre qualquer cargo no governo federal ou sobre política econômica e disse estar preparado para tomar posse no Piauí e fazer uma gestão melhor do que a do primeiro mandato. Ele afirmou que se aproximou do presidente no segundo turno, depois de vencer no estado, e deu o que chamou de contribuição modesta à virada na campanha. O Piauí foi o estado em que Lula teve a maior votação proporcional: 75,88% no segundo turno, segundo o Estadão.
Medidas já anunciadas
Fonteles disse que as propostas recentes, como o Pé-de-Meia Universitário, a tarifa zero nos fins de semana e o Prospera MEI, foram discutidas com a equipe econômica e cabem no arcabouço fiscal nos quatro anos. Ele reconheceu que a área de Fazenda costuma entrar em disputa com quem quer realizar e que o árbitro, no fim, é o presidente.
Contexto e limites
O tema do corte de privilégios também apareceu em outras falas do campo governista; Guilherme Boulos disse que o mercado faz “chantagem” no ajuste fiscal. O mercado, por sua vez, já revisou projeções para baixo: a expectativa de IPCA para 2027 saltou para 5,3% em pesquisa com gestores. A entrevista não traz medidas, valores ou prazos; trata-se de declaração de intenção de um possível futuro ministro, não de decisão do governo. A escolha do ministro da Fazenda cabe a Lula, que não a anunciou.
A foto de abertura é de arquivo, de 2019, e não registra a entrevista.






















