Brasil

Flávio lidera nas cidades com mais de 30% de evangélicos, mostra cruzamento

Levantamento cruza o Censo 2022 com o resultado do segundo turno; a relação entre religião e voto varia por região e não explica sozinha a eleição, ressalva a reportagem.

Fachada de um templo da Assembleia de Deus, com portão de grade, em Cascavel, no Paraná
Templo da Assembleia de Deus, em Cascavel (PR). Foto de arquivo: Porto Neto, 22/4/2015 — CC BY-SA 4.0. A imagem ilustra a presença evangélica no país e não representa os municípios citados na matéria. Origem da fotografia. Condição de uso.

Nos municípios em que mais de 30% da população se declara evangélica, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teve mais votos válidos que o presidente reeleito Lula (PT) no segundo turno de 25 de outubro. É o que mostra um cruzamento entre os dados de religião do Censo 2022, do IBGE, e o resultado município a município, publicado neste sábado (31) pelo g1. A reportagem ressalva que a composição religiosa não explica sozinha a geografia eleitoral.

Como o voto muda por faixa de evangélicos

Segundo o g1, agrupando os municípios pela proporção de evangélicos, a vantagem troca de lado entre as faixas de 20% e 40%:

Evangélicos na população Municípios Lula Flávio
Até 10% 502 68,5% 31,5%
10% a 20% 1.929 61,3% 38,7%
20% a 30% 1.819 51,3% 48,7%
30% a 40% 973 45,8% 54,2%
40% a 50% não informado 45,4% 54,6%
Mais de 50% 58 44,8% 55,2%

Percentuais de votos válidos por faixa, conforme a reportagem. Faixas e contagens são do g1; este portal não refez o cálculo.

O padrão varia pelo país

O g1 descreve três retratos regionais. No Centro-Oeste, 42% dos municípios têm ao mesmo tempo maior presença evangélica e maior votação em Flávio, numa faixa que vai de Mato Grosso a Goiás e avança por Rondônia, Tocantins e o sul do Pará. No Nordeste, em 55% dos municípios os evangélicos são proporcionalmente poucos e Flávio teve votação baixa; Salvador e Teresina deram ampla vantagem a Lula. No Sul, a religião praticamente não explica o voto: Flávio foi bem tanto em cidades de maioria católica, como Caxias do Sul (RS) e Florianópolis, quanto em Arroio do Padre (RS), apontado como o município mais evangélico do país. No Norte o padrão é o inverso: em grandes extensões do Amazonas e do Pará a presença evangélica é alta, mas a votação de Flávio ficou na faixa intermediária ou baixa.

O que o levantamento não mostra

A reportagem lembra que correlação não demonstra que a religião tenha causado o resultado: o indicador mostra que as duas variáveis se movem juntas, sem isolar outros fatores que diferenciam os municípios. O dado é por município e não diz como votaram os evangélicos individualmente. Para esse recorte, o g1 cita o Datafolha de 6 e 7 de outubro, logo após o primeiro turno, em que Flávio tinha 69% das intenções de voto entre evangélicos, contra 25% de Lula; Flávio foi batizado na fé evangélica. Pelo resultado oficial, Lula foi reeleito com 51,8% dos votos válidos, contra 48,2% de Flávio, segundo a totalização do TSE.

Veja também: mais notícias de Brasil.

Últimas

Em perspectiva

Mais notícias