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Lula freia onda de direita na região, e EUA devem focar aliados, dizem analistas

Brasil foi o primeiro país latino-americano a não eleger a direita desde a volta de Trump; especialistas ouvidos por reportagem veem ofensiva militar e política mais concentrada em aliados.

Mapa-múndi em projeção ortográfica centrado nas Américas, com Estados Unidos, Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai, Equador, Honduras, Costa Rica, Panamá, República Dominicana e Guiana destacados em verde escuro e os demais países em cinza claro.
Mapa da iniciativa Escudo das Américas, coalizão lançada pelos EUA; em verde, os países marcados no mapa colaborativo de 8/3/2026, que pode estar desatualizado. Mapa de arquivo: MapNerd777 — CC0. Origem do mapa. Condição de uso.

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva interrompeu a sequência de vitórias da direita na América Latina e obriga os Estados Unidos a recalcular a estratégia para a região, segundo analistas ouvidos pelo g1 em reportagem de 31/10. Para eles, a Casa Branca tende a acelerar, e não a abandonar, a ofensiva de influência, agora concentrada nos governos aliados. São avaliações de especialistas, não decisões anunciadas pelo governo de Donald Trump.

O que mudou no mapa

De acordo com o g1, o Brasil foi o primeiro país da América Latina a não eleger a direita em eleição presidencial desde a volta de Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025. Nesse período, a região, que costuma mudar de rumo em conjunto, guinou à direita: Colômbia, Peru, Costa Rica e Chile se juntaram a El Salvador e Argentina. A reportagem diz que Trump reivindicou o retorno da Doutrina Monroe, estratégia de política externa de 200 anos atrás para exercer poder sobre a região, com o objetivo declarado de proteger o continente da China.

O g1 lista ações do governo americano nesse período: apoio declarado a candidatos de direita em eleições da Colômbia, do Peru, de Honduras, da Costa Rica e da Argentina (neste caso, legislativas); operação naval e aérea no Caribe; ampliação da lista de grupos tratados pelo Pentágono como terroristas, incluindo os brasileiros PCC e CV; envio de tropas à Colômbia, ao Panamá e a Honduras para o combate ao narcotráfico; e o Escudo das Américas, coalizão que, na leitura do governo brasileiro, visa cercar o Brasil.

O que dizem os analistas

Christopher Sabatini, do Chatham House, avalia que o Brasil, rico em minerais e terras raras, seria o maior prêmio dessa estratégia. Para o analista Samuel Logan, da consultoria Evidencity, a vitória de Lula é “um contratempo, mas não um obstáculo” à estratégia regional, e a agenda de Trump para a região deve se acelerar entre os países já alinhados: Argentina, Chile, Paraguai, Peru, Bolívia, Equador, Colômbia, El Salvador, Panamá, Honduras e Costa Rica. Isso deve ocorrer sobretudo com mais operações militares conjuntas, segundo ele.

Michael Shifter, do Diálogo Interamericano, disse à agência Associated Press, em trecho reproduzido pelo g1, que o movimento é uma tentativa de legitimar o uso mais amplo das Forças Armadas americanas na região. Logan avalia ainda que a resistência de Lula a ceder às exigências do governo Trump ajudou na reeleição e deve marcar o quarto mandato; Washington, afirma, negociará com Brasília para tentar chegar a objetivos como a exploração de minerais e terras raras, mas encontrará a influência do Brasil, que faz fronteira com dez países.

O que Trump disse sobre a eleição

Segundo o g1, Trump não declarou apoio a Flávio Bolsonaro durante a campanha. Depois do resultado, disse que se dá bem com Lula, mas também questionou a eleição, sem apresentar provas, e permitiu a entrada nos EUA do candidato derrotado. Este portal mostrou que Trump voltou a insinuar fraude sem provas, que o governo Milei não parabenizou Lula, que a bancada progressista dos EUA cobrou que Trump reconheça a vitória e que Rubio nega que os EUA tenham ajudado Flávio a sair do Brasil.

Os fatos sobre ações americanas na região vêm da reportagem do g1, que foi lida na íntegra; este portal não os verificou de forma independente. O mapa que ilustra a matéria mostra a iniciativa Escudo das Américas em março de 2026 e pode não refletir a adesão atual.

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