A Comissão Executiva Nacional do PT atribuiu a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva à mobilização popular e a uma ampla aliança social e política, em nota divulgada na quinta-feira (29). O texto, publicado na íntegra pelo Poder360, traça diretrizes para o novo mandato, critica a contestação do resultado por Flávio Bolsonaro e marca a agenda do partido até a posse, em 5 de janeiro de 2027.
O que o partido diz sobre a vitória
Segundo a nota, Lula teve 51,8% dos votos válidos, ou 64 milhões de votos, a maior votação nominal já recebida por um candidato à Presidência, e fez a primeira virada de placar entre o primeiro e o segundo turno do período democrático recente. O PT afirma que ganhou mais de 10 milhões de votos entre os dois turnos, cresceu em todas as unidades da federação e virou o resultado em mais de cem municípios, e cita a menor abstenção desde 2006. Os números são os do partido, reproduzidos pelo Poder360; este portal não os conferiu nos dados do TSE neste ciclo.
A direção atribui o resultado à mobilização de jovens, mulheres, idosos, população negra, povos indígenas, artistas e militância, e inclui o Exército do Lula, liderado por André Janones, entre os fatores no debate digital. Diz ainda que setores liberais, conservadores e da direita democrática aderiram à defesa da democracia.
Prioridades para o novo mandato
- Fortalecimento do SUS, educação em tempo integral, fim da escala 6 x 1 e tarifa zero no transporte.
- Reforma do sistema de Justiça, reforma político-eleitoral e regulação democrática das grandes plataformas digitais.
- Estratégia nacional de soberania digital e tecnológica, com investimentos em ciência e inteligência artificial.
- Orçamento participativo e um governo de diálogo, como afirmou Lula, segundo a nota.
O texto também afirma que as transformações devem ser feitas “sem fazer ajuste em cima dos mais pobres”, posição que dialoga com o impasse no governo sobre o tamanho do ajuste fiscal. As prioridades são diretrizes de um órgão partidário, não decisões do governo.
Críticas a Flávio e a Trump
A nota trata a saída de Flávio Bolsonaro do país como sinal da gravidade do momento e o chama de foragido; é a classificação do partido, e as fontes lidas por este portal não registram ordem de prisão contra o senador. O PT diz que a carta em que ele se proclamou o verdadeiro presidente contesta eleições reconhecidas pelo TSE e por todos os partidos, inclusive o PL, e que a tentativa de conclamar interferência externa representa um novo patamar da reação autoritária dos derrotados nas urnas. Sobre a posição de Donald Trump e a presença de Flávio nos Estados Unidos, o texto diz que o país não aceitará interferência de interesses estrangeiros.
A afirmação de que todos os partidos reconheceram o resultado não é consenso: a manchete do g1 em 31 de outubro diz que o Novo segue sem reconhecer a vitória de Lula (a reportagem não foi lida por este portal). Já a cobertura deste portal sobre as manifestações dos partidos registra o quadro de reconhecimentos até então.
Violência política e assédio eleitoral
O PT cita a vereadora Iara Pimentel, do partido em Montes Claros (MG), atingida por uma pedrada no rosto durante uma carreata em 24 de outubro, e fala em denúncias de homicídios, tentativas de homicídio, agressões, ameaças e assédio eleitoral nos locais de trabalho. Os casos são relatados na nota e não foram verificados por este portal. A direção pede que diretórios comuniquem as ocorrências ao Diretório Nacional e que o Ministério Público do Trabalho investigue o assédio eleitoral.
Agenda do partido
- 13 de novembro: reunião do Diretório Nacional para balanço das eleições e análise da conjuntura, de onde sairá um documento com a síntese política do partido.
- 20 de novembro: mobilização no Novembro Negro, com atos no Dia da Consciência Negra.
- Campanha de filiação de jovens e fortalecimento dos núcleos de base.
- 5 de janeiro de 2027: posse de Lula, para a qual o PT convida diretórios, sindicatos e movimentos a organizarem caravanas a Brasília.






















