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Fachin devolve caso INSS a Mendonça e mantém Master na Presidência do STF

Presidente do Supremo diz que não há indício concreto de autoridade com foro no caso Sem Desconto; Compliance Zero fica por até 90 dias, e a decisão irá a referendo do Plenário.

O ministro Edson Fachin, de toga, sentado em sua cadeira no plenário do Supremo Tribunal Federal
O ministro Edson Fachin durante sessão plenária do STF, em Brasília, em 30/5/2018. Foto de arquivo: Antonio Cruz/Agência Brasil — CC BY 3.0 BR. A imagem não registra a decisão desta quinta-feira. Origem da fotografia. Condição de uso.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, decidiu nesta quinta-feira (29) devolver ao ministro André Mendonça os autos da Operação Sem Desconto, que apura descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS, e manter provisoriamente na Presidência da Corte os procedimentos da Operação Compliance Zero, sobre o Banco Master. A decisão será submetida a referendo do Plenário, segundo nota do próprio STF.

O que Fachin decidiu

  • INSS (Sem Desconto, PET 15041): Fachin concluiu que não há menção nem indício concreto envolvendo autoridades com foro por prerrogativa de função que justifiquem reter os autos. O processo volta à relatoria de Mendonça.
  • Master (Compliance Zero, PET 15556 e PET 16662): como há relatórios policiais que citam autoridade sujeita à jurisdição do STF, os procedimentos permanecem sob a guarda da Presidência, em caráter excepcional e provisório. Nesse período, a Presidência decide apenas medidas urgentes, como a análise periódica de prisões cautelares.

Prazo e condições

A permanência do caso Master na Presidência vale por, no máximo, 90 dias contados de 12 de setembro, ou até que ocorra um destes eventos: a conclusão do julgamento, pelo Plenário, da questão de ordem iniciada na PET 16662; o fim do prazo regimental do pedido de vista do ministro Flávio Dino; ou a entrega do relatório detalhado que Fachin pediu à Polícia Federal sobre as menções a ministros do STF em investigações ligadas ao Master. Depois de qualquer um deles, a permanência será reavaliada.

Fachin escreveu que a medida não antecipa juízo sobre o mérito das investigações nem fixa em definitivo a competência ou a prevenção. O Plenário avaliará, junto com o referendo, a proposta de desmembramento definitivo das apurações e a competência para julgar os fatos.

Como o impasse começou

As duas apurações foram remetidas à Presidência em 12 de setembro, depois que se identificaram citações a autoridades com foro e que o ministro Alexandre de Moraes enviou uma representação (PET 16704), que apontava supostos indícios de irregularidades no exercício da relatoria de ambas as operações, então conduzidas por Mendonça. Ao analisar a manifestação da Procuradoria-Geral da República, Fachin registrou que o órgão não identificou elementos que caracterizem abuso de autoridade (Lei 13.869/2019). Segundo a CNN Brasil, Mendonça deixou de decidir nos processos desde a remessa, e pedidos de investigados e medidas das apurações ficaram paralisados.

O que ainda falta

A decisão não é definitiva: precisa ser referendada pelo Plenário, que também decidirá sobre o desmembramento. O STF não informou, na nota, data para essa análise. Já noticiamos que Fachin pediu à PF que as menções a ministros no caso Master fossem encaminhadas ao Supremo, e que a PGR deve fatiar as denúncias do caso Master.

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