Congresso

Lula pode fazer até 53 indicações a um Senado mais à direita, diz levantamento

Levantamento do Estadão com 210 indicações mostra que o prazo mediano de aprovação passou de 12 dias com Bolsonaro para 33 com Lula; PL terá 29 dos 81 senadores em 2027.

Plenário do Senado Federal lotado durante sessão, com um senador discursando em pé e painéis de votação ao fundo
Plenário do Senado, em sessão de 29 de abril de 2026. Foto de arquivo: Senado Federal/Agência Senado — CC BY-SA 4.0. A imagem não registra o fato atual. Origem da fotografia. Condição de uso.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderá fazer até 53 indicações que dependem de aprovação do Senado, entre vagas já abertas e outras previstas até o fim de 2027, segundo levantamento publicado pelo Estadão. A Casa que as analisará será mais à direita: o PL terá a maior bancada a partir de fevereiro de 2027.

O que diz o levantamento

O Estadão analisou 210 indicações presidenciais. No governo de Jair Bolsonaro (PL), metade dos nomes aprovados recebeu o aval do Senado em até 12 dias entre o início da tramitação e a votação em plenário; no terceiro mandato de Lula, esse prazo chegou a 33 dias, quase o triplo. Nas agências reguladoras, a diferença foi maior: até quatro dias com Bolsonaro e 121 dias com Lula. Desconsiderando os nomes que começaram a tramitar em dezembro, afetados pelo recesso, o intervalo sob Lula ficou em cerca de 34 dias, segundo o jornal.

Das 53 vagas, 45 são em agências e órgãos reguladores, incluindo diretorias do Banco Central, do Cade e da CVM; as outras oito são no Judiciário: uma no Supremo Tribunal Federal, quatro no Superior Tribunal de Justiça e três no Tribunal Superior do Trabalho. O número inclui cargos já vagos e outros que serão desocupados até o fim de 2027.

Um Senado diferente

Segundo o levantamento, o PL terá 29 dos 81 senadores a partir de fevereiro de 2027; os partidos de direita somarão 48 cadeiras e os de esquerda, 16, das quais dez são do PT. Cada nome precisa de ao menos 41 votos favoráveis no plenário depois de passar pelas sabatinas e votações nas comissões. Em abril deste ano, o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo, algo que não ocorria havia 132 anos, segundo o jornal.

O cientista político Murilo Medeiros, da UnB, disse ao Estadão que hoje a aprovação depende de negociação prévia com a Casa. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), afirmou ao jornal que acredita ser possível aprovar as indicações com apoio de partidos de centro e até de integrantes da oposição; o líder do PL, Carlos Portinho (RJ), disse que a oposição fará seu “escrutínio”.

O que vem a seguir

A eleição para a presidência do Senado, em fevereiro, será o primeiro teste: Davi Alcolumbre (União-AP) articula a reeleição com apoio de Lula, mas terá de negociar com uma bancada mais conservadora. A cadeira vaga no Supremo segue aberta desde a saída de Luís Roberto Barroso, segundo o Poder360. No campo legislativo, o governo ainda tenta votar neste ano a PEC da Tarifa Zero, a medida provisória das bets e o Orçamento de 2027; a PEC da Segurança foi aprovada ontem no Senado e vai à promulgação.

Os números são do levantamento do Estadão e não foram refeitos pelo Os Poderes; a composição de 2027 resulta das eleições de outubro e depende da posse.

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