O PT começou a sondar partidos do Centrão e da esquerda sobre uma eventual participação no Ministério de Lula a partir de 2027. As conversas, descritas como uma sondagem inicial, são conduzidas pelo presidente do partido, Edinho Silva, e têm um princípio declarado: quem ocupar espaço na Esplanada deve votar com o governo no Congresso.
Quem conversa com quem
- Terça-feira (3): encontros com representantes do Podemos e do PSB.
- Quarta (4) e quinta-feira (5): previstos encontros com PP, União Brasil, PSD, Republicanos e MDB. A ideia é ouvir os presidentes das legendas.
- União Brasil: além do presidente do partido, Antonio Rueda, deve participar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
- PP: foi destacado o líder na Câmara, Doutor Luizinho, a pedido do presidente da sigla, Ciro Nogueira.
- Outros: Edinho também teria procurado Avante e PSDB. Os ex-ministros Rui Costa e Camilo Santana ajudam a buscar o diálogo.
A contrapartida: fidelidade
Em todas as conversas, Edinho reforça que a aliança pressupõe maior fidelidade dos partidos nas votações em que tiverem representantes no ministério. Integrantes do governo que despacham no Planalto dizem que só deve ser base, e indicar nomes para cargos, quem de fato votar com os interesses do Executivo. Por ora, a sondagem não entra em detalhes sobre qual espaço caberá a cada partido: Edinho deve reunir as informações e levá-las a Lula.
Um dirigente partidário ouvido pela reportagem avaliou como positiva a mudança de postura, com o diálogo direto com o presidente de cada sigla. O governo, segundo relatos, entende que precisará de uma base mais coesa ainda neste ano, diante do crescimento do PL na próxima legislatura.
O pano de fundo
No segundo turno, a maioria dos partidos do Centrão declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado nas urnas. A migração foi criticada no Planalto e levou o governo a exonerar indicados desses políticos na máquina federal, como os de Arthur Lira (PP-AL). Agora, interlocutores veem em um desconforto de setores do centro com a postura de Flávio, que deixou o país após a derrota, uma brecha para reaproximação. Há também ressentimento: aliados de Ciro Nogueira se queixam de crítica de Lula a ele durante agenda no Piauí, e petistas dizem que o primeiro contato não será com o senador.
O que vem a seguir
Aliados esperam que Lula se debruce sobre a montagem do governo ao voltar do giro internacional que inclui a COP31, com compromissos a partir do dia 11 e retorno previsto até o dia 16. Ele convidou Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para acompanhá-lo, o que aliados dos dois leem como sinal de conversa sobre o governo; a participação ainda não está confirmada. O Planalto conta com a recondução de ambos à frente do Congresso em fevereiro. Alcolumbre tem hoje dois ministros apadrinhados, Waldez Góes (Desenvolvimento Regional) e Frederico de Siqueira Filho (Comunicações); Motta emplacou Gustavo Feliciano, no Turismo.
A conversa chega num momento de tensão com a base: o líder do PL no Senado rompeu com o governo e prometeu obstruir pautas, como mostra a matéria sobre Carlos Portinho. O prazo para decisões de ministérios, só depois de 16/11, está em outra matéria do Os Poderes.
O que não está confirmado
As informações vêm de relatos de interlocutores, sem declaração oficial do PT, do Planalto ou dos partidos citados; os encontros de quarta e quinta eram previsões. Nenhum cargo ou ministério foi oferecido ou acertado.






















