O procurador-geral interino da Bolívia, José Armando Urioste, afirmou na sexta-feira (6) que o presidente do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), Romer Saucedo, pode ter fugido para o Brasil. “Temos a informação de que ele estaria em alguma cidade do Brasil. Isso está sendo investigado”, disse, acrescentando que foram acionados alertas migratórios. As autoridades não confirmaram que o magistrado esteja em território brasileiro.
Saucedo é alvo de uma ordem de prisão expedida em 3 de novembro por promotores da Fiscalía Especializada em Delitos de Narcotráfico, por suspeita de tráfico de substâncias controladas e organização criminosa. A resolução cita risco de fuga e de obstrução da investigação, e o crime de tráfico citado no documento prevê pena de 10 a 25 anos de prisão.
O que Saucedo diz
Na quarta-feira (4), em publicação nas redes sociais, o magistrado anunciou que saiu da Bolívia com a família. Disse ser vítima de perseguição política por “questionar o poder político”, afirmou temer por sua vida e sua liberdade e escreveu que saiu “sem ter processos abertos”, mas sabia que “começariam em breve”. A defesa dele não foi localizada nas informações apuradas até agora, e as acusações não foram comprovadas em julgamento.
A investigação
- As primeiras apurações da polícia boliviana não encontraram registro de saída de Saucedo por postos oficiais de imigração, o que leva as autoridades a investigar uma travessia terrestre clandestina.
- Segundo Urioste, o magistrado pode ter sido avisado com antecedência da ordem judicial e planejado a fuga depois de um vazamento.
- Na quinta-feira (5), a Polícia Anticorrupção fez quatro buscas em Santa Cruz de la Sierra e em San Ignacio de Velasco e prendeu familiares do magistrado; as identidades não foram divulgadas.
- Urioste disse que as apurações seguem sob reserva, por envolverem testemunhas protegidas, e que a Fiscalía buscará outras ordens de prisão e uma eventual notificação vermelha da Interpol.
Situação no tribunal
Saucedo foi eleito por voto popular em 2024 para um mandato de seis anos. Em 15 de outubro, apresentou renúncia à presidência do TSJ, com efeito previsto para janeiro de 2027, e disse que continuaria como magistrado. Segundo a apuração, os crimes investigados não teriam sido cometidos no exercício da presidência do tribunal.
Não há, nas informações apuradas até a publicação, manifestação pública do governo brasileiro sobre o caso. A foto é de arquivo e mostra a sede do TSJ em Sucre; ela não registra o magistrado nem o fato atual.





















