Brasil

Lula ganhou votos em todas as faixas de renda no 2º turno, mostra análise

Cruzamento de resultados por seção eleitoral com a renda do Censo 2022 aponta maior avanço na classe média baixa; Rio de Janeiro foi o único estado em que a relação com a renda se inverteu.

Vista aérea de multidão vestida de vermelho em ato de campanha de Lula no Rio de Janeiro
Ato de campanha de Lula no Rio de Janeiro, visto do alto, em 2/10/2026. A imagem não mostra o voto por renda. Foto: Ricardo Stuckert / Lula Oficial — CC BY-SA 4.0. Origem da fotografia. Condição de uso.

O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aumentou sua votação em todas as faixas de renda entre o primeiro e o segundo turno, com o maior avanço entre eleitores de renda intermediária, segundo cruzamento de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Censo 2022, do IBGE, divulgado neste domingo (8). O ganho de Lula foi de 4,8 a 7,2 pontos percentuais dos votos válidos, conforme a faixa, e a maior alta ocorreu na classe média baixa.

O que os números mostram

A análise cruza os resultados de quase 500 mil seções eleitorais com a renda dos setores censitários onde elas ficam. Lula venceu o segundo turno com 51,8% dos votos válidos (64,3 milhões de votos), contra 59,8 milhões de Flávio Bolsonaro (PL). Em geral, quanto menor a renda da região, maior foi a votação do petista.

  • Áreas de renda até R$ 1.780: Lula passou de 69,4% para 74,2% dos votos válidos.
  • Áreas de renda acima de R$ 7.130: de 37,6% para 44,3%.
  • Faixa de R$ 2.590 a R$ 2.920: de 44,4% para 51,6%. Foi onde a disputa virou: no primeiro turno Flávio liderava e, no segundo, Lula assumiu a frente. Nessa faixa, que reúne 9,4% do eleitorado (cerca de 14,7 milhões de pessoas), Lula avançou 7,2 pontos e Flávio passou de 47,6% para 48,4%.

Com isso, Flávio passou a superar Lula apenas em áreas de renda mais alta: a fronteira, que no primeiro turno estava em R$ 2.590, subiu para R$ 2.920. A partir de R$ 2.590, o ganho de Lula ficou acima de 6,5 pontos em todas as faixas. Nas áreas mais ricas, onde outros candidatos tiveram cerca de 10% no primeiro turno, Lula cresceu 6,7 pontos e Flávio, 3,3.

Diferenças entre os estados

O ponto de virada varia pelo país. Em oito dos nove estados nordestinos, Lula liderou em todas as faixas de renda; na Bahia, por exemplo, teve 60,7% mesmo nas áreas acima de R$ 7.130, e, em Pernambuco, 57,4%. Alagoas é a exceção: o petista perdeu apenas nas áreas mais ricas. No Sul e no Centro-Oeste, o quadro é outro: em Goiás, no Paraná e em Santa Catarina, Lula liderou só na faixa mais baixa, e em Santa Catarina o voto nele cai de 72,2% para 38% na faixa seguinte. Em Mato Grosso, a queda é a mais acentuada do país, de 76,8% nas áreas mais pobres para 25,2% nas mais ricas.

O Rio de Janeiro foi o único estado com relação invertida: Lula perdeu em todas as faixas até R$ 7.130 e liderou apenas nas áreas de maior renda. Em Acre, Rondônia e Distrito Federal, não liderou em nenhuma faixa; em Roraima, só na de até R$ 1.780, com 50,6%.

Limites da análise

O levantamento mostra como votaram os bairros, e não cada eleitor: no mesmo local votam vizinhos com rendas e opiniões diferentes, e o eleitor vota onde tem o título, que nem sempre é onde mora. A renda vem do Censo de 2022, quatro anos antes da eleição. Os números não foram recalculados de forma independente pelo OsPoderes. O cenário político depois do pleito aparece em Lula tem 48% de aprovação na primeira pesquisa pós-eleição, e o que o governo estuda para as contas públicas, em ajuste fiscal de Lula: o que está em estudo e o que o governo descarta.

Últimas

Em perspectiva

Mais notícias