A disputa pela presidência do Senado, marcada para 1º de fevereiro de 2027, já tem três nomes em campo: o atual presidente, Davi Alcolumbre (União-AP), que busca a reeleição; o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), cuja candidatura o PL lançou na quarta-feira (4); e a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que mantém o nome como “terceira via”, segundo reportagens. Por essas contas, nem Alcolumbre nem Marinho teriam hoje os 41 votos necessários, e há senadores contabilizados nas planilhas dos dois lados.
As contas de cada lado
- Quórum: com todos os 81 senadores presentes, o vencedor precisa de 41 votos. O voto é secreto.
- Marinho: o PL terá 29 senadores a partir de fevereiro, mais de um terço da Casa. Somados os três senadores eleitos do Novo, que também rejeitam apoiar Alcolumbre, a base de partida seria de 32 nomes. Marinho já recebeu o aval de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do senador eleito Carlos Bolsonaro (PL-SC). Em 2023, ele disputou a presidência e teve 32 votos, contra 49 de Rodrigo Pacheco.
- Alcolumbre: aposta na federação União-PP e numa aliança com PT, PSB, PDT, Rede, MDB e PSD, o que lhe daria um grupo de 39 parlamentares. Segundo a reportagem, Lula deve apoiá-lo. A direção nacional da federação União-PP deu aval, mas a bancada de 11 senadores está dividida: há resistência entre nomes como Tereza Cristina e o senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP), e ele passou a procurar os parlamentares individualmente, inclusive Arthur Lira (PP-AL), que ainda não declarou voto.
- Indecisos: Republicanos, Podemos e PSDB somam nove parlamentares e não sinalizaram qual grupo apoiarão. O senador Romário (RJ) não tem partido.
Os números são projeções de aliados e de reportagens, não votos declarados, e podem mudar até a eleição.
Tereza Cristina como terceira via
Marinho e Tereza se reuniram na semana passada para tentar unificar a oposição, e não houve acordo. A senadora aposta em atrair partidos do Centrão que resistem a Marinho, mas também não querem a recondução de Alcolumbre. Aliados dela dizem que ela não aceita nem o bloqueio da agenda de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, que atribuem a Alcolumbre, nem que essa seja a prioridade do Senado, como defende Marinho. Tereza é favorável a discutir o tema, mas quer uma pauta ampla de reformas econômicas. A estratégia, segundo a reportagem, é manter a candidatura para ganhar força e, adiante, tentar convencer Marinho a ceder.
Voto aberto e pressão sobre indecisos
Bolsonaristas pressionam os colegas a declarar o voto, para tentar reduzir a base de Alcolumbre, e tratam a recusa em fazê-lo como sinal de apoio a ele. A reportagem compara a estratégia à de 2019, quando uma mobilização por abrir o voto levou Renan Calheiros (MDB-AL) a desistir durante a votação e Alcolumbre foi eleito. O voto continua secreto, mas cada senador pode revelar sua posição.
O que está em jogo
O impeachment do ministro Alexandre de Moraes é uma das principais bandeiras da oposição no Senado. Segundo a reportagem, Alcolumbre é próximo de Moraes e já indicou que não dará andamento a ações desse tipo, e avalia um aceno a Jair Bolsonaro, com um acordo entre Congresso, governo e Judiciário para reduzir o tempo de prisão do ex-presidente; senadores da oposição rejeitam a ideia e duvidam de que ela avance. Essas informações são relatos de bastidor, sem confirmação oficial.
Montagem do OsPoderes com fotos de arquivo de Rogério Marinho (2023) e Davi Alcolumbre (2020); as imagens não registram a disputa atual.






















