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Lula planeja iniciar o 4º mandato com 40 ministérios, diz reportagem

Número superaria os 39 de Dilma Rousseff; Segurança Pública seria o 1º passo, e Idoso e Comunicação Digital ainda estão em estudo preliminar. Nenhum cotado teria recebido convite formal.

Blocos de prédios de ministérios alinhados na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, vistos do gramado
Prédios da Esplanada dos Ministérios, em Brasília, em 5/7/2019 (recorte). Foto de arquivo: Senado Federal — CC BY 2.0. A imagem não registra o planejamento atual do governo. Origem da fotografia. Condição de uso.

O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) planeja começar o quarto mandato, em janeiro de 2027, com 40 ministérios, o maior número desde a redemocratização, segundo reportagem publicada neste sábado (7). A Esplanada tem hoje 38 pastas; o recorte anterior pertence a Dilma Rousseff (PT), que chegou a 39 no segundo mandato. A expansão atenderia a promessas de campanha e à necessidade de acomodar aliados e partidos do Centrão num governo que dependerá de apoio no Congresso.

Como o governo chegaria aos 40

  • Segurança Pública: é o primeiro passo. O Senado aprovou a PEC da Segurança na terça-feira (3), e o governo prepara o desmembramento do Ministério da Justiça. Lula havia prometido criar a pasta assim que a emenda fosse aprovada; com ela, a Esplanada igualaria os 39 de Dilma. Auxiliares afirmam que a divisão não criaria cargos nem aumentaria gastos com pessoal, além do posto de ministro.
  • Idoso: a marca seria superada com um Ministério do Idoso. Lula cogita criá-lo, e as conversas com auxiliares estão em nível preliminar.
  • Comunicação Digital: um terceiro órgão está em estudo, em estágio ainda mais inicial. A tendência é que fique subordinado à Secretaria de Comunicação Social (Secom), que tem status de ministério.

Comparação histórica

Segundo os dados da reportagem, que consideram o número máximo de pastas em cada mandato, Lula iniciou o terceiro governo com 37 ministérios. Fernando Henrique Cardoso chegou a 30; Michel Temer cortou o total e teve 29; Jair Bolsonaro manteve até 23; no governo de Fernando Collor foram 16. Lula já defendeu a estrutura atual: em janeiro, disse que “quanto menos ministérios você tem, mais incompetente é”. O tema tende a voltar na discussão do Orçamento de 2027, porque a criação de ministérios exige reorganização de recursos, cargos e estruturas, ainda que parte das despesas possa ser remanejada.

Os nomes que circulam

A lista de cotados mistura quadros do PT e de aliados: Silvio Costa Filho (Republicanos), Renan Filho (MDB) e Eduardo Paes (PSD); o PSD também deve indicar o ministro da Pesca. Ao menos três nomes ganharam força nas últimas semanas, sem convite formal conhecido: o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), para a Fazenda; o senador Camilo Santana (PT-CE), para a Casa Civil; e o ministro do Planejamento, Bruno Moretti. Do mercado, voltou a circular o nome de Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do Conselho de Administração do Bradesco, para a Fazenda. Fernando Haddad é citado para três pastas, e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), para a Defesa e a Fazenda. São especulações, não decisões.

Sobre Fonteles, uma coluna de bastidores relata que dirigentes petistas temem o que chamam de “efeito Waldir Pires”: o ex-governador da Bahia deixou o cargo em 1989 para ser vice na chapa presidencial do PMDB, foi criticado por não concluir o mandato e acabou sem o governo nem o Planalto. Fonteles foi reeleito no primeiro turno com 70,90% dos votos válidos, e o relato diz haver ainda, no Planalto, a preocupação de que a Fazenda o tornaria um ministro “indemissível”. Os argumentos são de aliados ouvidos pela coluna, não posição oficial do governo.

Leia também

Veja a matéria sobre a proposta de ministérios proporcionais aos votos dos partidos, a que trata do Ministério do Turismo e a que descreve o foco previsto para a nova pasta da Segurança.

Foto de arquivo dos prédios da Esplanada dos Ministérios (2019); a imagem não registra o planejamento atual do governo.

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