O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) planeja começar o quarto mandato, em janeiro de 2027, com 40 ministérios, o maior número desde a redemocratização, segundo reportagem publicada neste sábado (7). A Esplanada tem hoje 38 pastas; o recorte anterior pertence a Dilma Rousseff (PT), que chegou a 39 no segundo mandato. A expansão atenderia a promessas de campanha e à necessidade de acomodar aliados e partidos do Centrão num governo que dependerá de apoio no Congresso.
Como o governo chegaria aos 40
- Segurança Pública: é o primeiro passo. O Senado aprovou a PEC da Segurança na terça-feira (3), e o governo prepara o desmembramento do Ministério da Justiça. Lula havia prometido criar a pasta assim que a emenda fosse aprovada; com ela, a Esplanada igualaria os 39 de Dilma. Auxiliares afirmam que a divisão não criaria cargos nem aumentaria gastos com pessoal, além do posto de ministro.
- Idoso: a marca seria superada com um Ministério do Idoso. Lula cogita criá-lo, e as conversas com auxiliares estão em nível preliminar.
- Comunicação Digital: um terceiro órgão está em estudo, em estágio ainda mais inicial. A tendência é que fique subordinado à Secretaria de Comunicação Social (Secom), que tem status de ministério.
Comparação histórica
Segundo os dados da reportagem, que consideram o número máximo de pastas em cada mandato, Lula iniciou o terceiro governo com 37 ministérios. Fernando Henrique Cardoso chegou a 30; Michel Temer cortou o total e teve 29; Jair Bolsonaro manteve até 23; no governo de Fernando Collor foram 16. Lula já defendeu a estrutura atual: em janeiro, disse que “quanto menos ministérios você tem, mais incompetente é”. O tema tende a voltar na discussão do Orçamento de 2027, porque a criação de ministérios exige reorganização de recursos, cargos e estruturas, ainda que parte das despesas possa ser remanejada.
Os nomes que circulam
A lista de cotados mistura quadros do PT e de aliados: Silvio Costa Filho (Republicanos), Renan Filho (MDB) e Eduardo Paes (PSD); o PSD também deve indicar o ministro da Pesca. Ao menos três nomes ganharam força nas últimas semanas, sem convite formal conhecido: o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), para a Fazenda; o senador Camilo Santana (PT-CE), para a Casa Civil; e o ministro do Planejamento, Bruno Moretti. Do mercado, voltou a circular o nome de Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do Conselho de Administração do Bradesco, para a Fazenda. Fernando Haddad é citado para três pastas, e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), para a Defesa e a Fazenda. São especulações, não decisões.
Sobre Fonteles, uma coluna de bastidores relata que dirigentes petistas temem o que chamam de “efeito Waldir Pires”: o ex-governador da Bahia deixou o cargo em 1989 para ser vice na chapa presidencial do PMDB, foi criticado por não concluir o mandato e acabou sem o governo nem o Planalto. Fonteles foi reeleito no primeiro turno com 70,90% dos votos válidos, e o relato diz haver ainda, no Planalto, a preocupação de que a Fazenda o tornaria um ministro “indemissível”. Os argumentos são de aliados ouvidos pela coluna, não posição oficial do governo.
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Veja a matéria sobre a proposta de ministérios proporcionais aos votos dos partidos, a que trata do Ministério do Turismo e a que descreve o foco previsto para a nova pasta da Segurança.
Foto de arquivo dos prédios da Esplanada dos Ministérios (2019); a imagem não registra o planejamento atual do governo.






















