O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), oficializou o senador Eduardo Gomes (PL-TO) como relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027. A escolha, anunciada na quarta-feira (5), é lida nos bastidores como parte da articulação de Alcolumbre para buscar votos dentro do PL na disputa pela presidência da Casa, marcada para fevereiro de 2027, quando o novo Senado tomar posse.
O que mudou na relatoria
Pelo acordo anterior, o PL ficaria com a relatoria da LDO e o MDB, com a da Lei Orçamentária Anual (LOA). Segundo a apuração de uma analista de política, Alcolumbre chegou a conversar sobre entregar a LDO ao PP, e o nome da senadora Tereza Cristina (PP-MS) foi mencionado. A mudança seria vista como um aceno a outra candidata ao comando do Senado. Depois de novas conversas com integrantes do PL, o presidente manteve Eduardo Gomes.
A conta dos votos
A avaliação de bastidores citada na apuração é que Eduardo Gomes está cada vez mais próximo de Alcolumbre e não apoiou a tentativa de Rogério Marinho (PL-RN) de presidir o Senado. Alcolumbre contaria com três votos da bancada do PL que não migrariam para Marinho, e estimativas mais otimistas falam em quatro ou mais. O aceno, segundo a análise, não é ao PL inteiro, mas à ala mais ligada ao centrão.
Marinho afirmou, no lançamento de sua campanha, ter 40 votos garantidos. São necessários 41 dos 81 votos para vencer, e o PL deve ter cerca de 30 senadores no próximo mandato (19 deles eleitos em outubro), o que torna cada voto decisivo. Esses números são declaração do candidato e estimativa de bastidor, não contagem confirmada.
Voto aberto e racha no centro
Marinho defende que os senadores de direita revelem o voto, para evitar apoio velado a Alcolumbre. Em entrevista publicada na segunda-feira (2), disse que é “difícil justificar em público o voto no Alcolumbre”. A votação para a presidência do Senado é secreta.
A federação União Progressista (União Brasil e PP) anunciou apoio à reeleição de Alcolumbre, mas integrantes do PP discordam, entre eles Tereza Cristina, que pretende disputar. Alcolumbre tem ainda o respaldo do governo Lula e de partidos do centrão.
O que falta
A eleição só ocorre em fevereiro. Até lá, os candidatos seguem em busca de apoios; o Os Poderes acompanha também o pedido da defesa de Jair Bolsonaro ao ministro Alexandre de Moraes para receber Marinho e Tereza Cristina, ainda sem decisão.




















