O livro Banho de Sol – os 580 dias de Lula na prisão, lançado na terça-feira (3), reproduz falas que o autor, o policial federal Jorge Chastalo Filho, atribui ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre ministros do Supremo Tribunal Federal. São relatos de um terceiro sobre conversas ocorridas entre 2018 e 2019, sem gravação ou confirmação independente, e a resposta de Lula não constava nas fontes consultadas.
O que o livro relata
- Luiz Fux: segundo o policial, Lula disse que nunca confiou nele e o chamou de “canalha”, afirmando que Fux o procurava com frequência quando ele era presidente e que foi nomeado por Dilma Rousseff por indicação de Antonio Palocci e de Sérgio Cabral.
- Cármen Lúcia: indicada por Lula em 2006, ela é descrita por ele, segundo o autor, como uma “falsa humilde” que o teria procurado falando em gratidão. Em outro trecho, Lula teria dito ter dormido um dia com “muito ódio” dela e a chamado de “miserável”.
- Edson Fachin: o autor relata que Lula dizia desconfiar dele desde antes da nomeação, que ele não o indicou durante o próprio mandato por falta de confiança e que o xingou com palavrão. Fachin preside o STF desde setembro de 2025.
Como o livro surgiu
A obra, publicada pela WMF Martins Fontes com edição de Lino Bocchini, reúne o diário de Chastalo, que acompanhou os 580 dias em que Lula esteve preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, de 7 de abril de 2018 a 8 de novembro de 2019. As conversas aparecem como lembranças registradas pelo policial; o texto indica que Lula demonstrava insatisfação com ministros que chegaram ao Supremo por indicação sua ou de Dilma.
O que ainda não há
Os ministros citados não se manifestaram nas fontes consultadas, e as frases não foram confirmadas por outra pessoa presente. Relato de memória ou de diário não equivale a registro oficial; o que se pode afirmar é o que o autor diz ter ouvido.





















