O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou para esta quinta-feira (5), no Palácio do Planalto, uma reunião com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o ex-ministro Fernando Haddad e economistas próximos a ele. O encontro ocorre em meio às discussões sobre novas medidas de ajuste fiscal e um dia depois de o Copom manter a Selic em 13,75%.
O que disse Durigan
Segundo o ministro, a reunião foi chamada pelo próprio presidente, que o avisou antes. Durigan disse não ter detalhes da pauta, mas que levará a Lula “cenários e propostas” sobre o que o governo poderá fazer nas próximas semanas. Questionado se o ajuste será anunciado ainda neste ano, respondeu que as medidas serão divulgadas, mas que a definição deve ficar para depois da volta do presidente da viagem à Turquia, para a COP31.
Quem foi chamado
Além de Durigan e Haddad, estava prevista a participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, do ex-ministro Guido Mantega, do ministro do Planejamento, Bruno Moretti, e do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. A lista de presentes que de fato compareceram não foi confirmada nas informações consultadas.
O que mais o ministro disse nesta quinta
- Meta fiscal: o governo promete um projeto para perseguir o centro da meta, e não o piso, em 2027, o que exigiria esforço adicional de R$ 36,6 bilhões.
- Juros: Durigan disse que o quarto mandato deve dar os “corretos estímulos” para reduzir a taxa, sem comentar a decisão do Copom, e afirmou que o juro alto prejudica todos os setores.
- Orçamento de 2027: o fim das bets reduzirá a arrecadação prevista do imposto do pecado e exigirá ajuste na proposta orçamentária; de janeiro de 2025 a setembro de 2026, a taxação das apostas rendeu R$ 15,3 bilhões, segundo a Receita. Para o ministro, o dinheiro que saiu das apostas vai para outras atividades e gera receita em outros tributos. A MP que vetou as bets precisa ser votada até 5 de março de 2027 para não perder a validade.
- Reforma tributária: o ministro disse que a reforma começa em janeiro de 2027, apesar dos pedidos de adiamento.
O contexto
Segundo integrantes do governo, o grupo mais próximo de Lula nas conversas sobre economia é formado por Durigan, Moretti e Mercadante, e Haddad passou a ser consultado nesta quinta. Na terça-feira (3), Durigan havia dito que o presidente não se reunira com economistas de fora do governo e que o que se discute é um “ajuste gradual” que respeite os compromissos de campanha.
Lula evita indicar nomes para a equipe econômica do quarto mandato; aliados avaliam que ele só deve apontá-los a partir do fim do mês. O presidente também fará um pronunciamento no domingo (8).
O que ainda não se sabe
O conteúdo da reunião, as propostas de ajuste e quem comandará a Fazenda no próximo governo não foram divulgados. A imagem desta página é uma montagem de duas fotos de arquivo, de 2023, e não registra o encontro.






















