Brasil

Corregedor do TSE abre ação contra chapa Lula-Alckmin por abuso de poder

O ministro Villas Bôas Cueva acolheu pedido do Novo, que aponta 35 atos do governo em ano eleitoral; Lula e Alckmin foram notificados e têm cinco dias para apresentar defesa.

Edifício-sede do Tribunal Superior Eleitoral, de fachada curva em vidro escuro e torre central clara, sob céu com nuvens, em Brasília
Sede do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, em 15/11/2020. Foto de arquivo: Roque de Sá/Agência Senado — CC BY 2.0. A imagem não registra a decisão do corregedor. Origem da fotografia. Condição de uso.

O corregedor-eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, abriu nesta quinta-feira (5) uma investigação contra a chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do vice Geraldo Alckmin por suposto abuso de poder político nas eleições de 2026. A ação foi protocolada pelo partido Novo. Abrir a ação não significa condenação: o mérito ainda não foi julgado, e Lula e Alckmin foram notificados para apresentar defesa em cinco dias.

O que o Novo alega

  • Os 35 atos: o partido lista 35 medidas editadas pelo governo que criaram ou ampliaram benefícios à população em ano eleitoral, entre elas o reajuste do Bolsa Família e a ampliação do subsídio aos combustíveis no segundo semestre, e sustenta que foram usadas para favorecer a chapa numa disputa acirrada.
  • A fala do partido: o presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, afirmou que a lei não permite gastar R$ 100 bilhões “para comprar uma eleição”. É a posição do autor da ação, não uma conclusão do tribunal.

O que decidiu o corregedor

  • Requisitos: na decisão, Cueva afirma que a petição atende aos requisitos para a abertura da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) e cita a comparação com os atos editados pelo presidente entre 2023 e 2026.
  • Quem responde: segundo a decisão, ao presidente se atribui a edição dos atos questionados; a Alckmin, além da condição de beneficiário, a participação em eventos de anúncio de parte das medidas.
  • Prazo: os investigados foram notificados e têm cinco dias para se manifestar.

O que pode acontecer

A AIJE é o instrumento que, se julgada procedente pelo plenário do TSE, pode levar à cassação do diploma e à inelegibilidade. Antes disso, há defesa, produção de provas e julgamento, sem data definida. A manifestação de Lula e de Alckmin sobre a ação não constava nas fontes consultadas.

Não é a única ação

O TSE ainda tem dezenas de ações de investigação semelhantes envolvendo a campanha de Lula e a do senador Flávio Bolsonaro (PL), muitas delas protocoladas pelas equipes jurídicas das duas campanhas. O Os Poderes já mostrou que Flávio desistiu de pedir a anulação da eleição e mirou a cassação da chapa de Lula.

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