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MP do Paraguai diz que Ueno simulou venda de carteira de US$ 74 mi

Segundo o Ministério Público, a compradora também era do banco e tinha US$ 93,8 mil em caixa um dia antes. São afirmações da investigação, ainda sem julgamento.

Horizonte de prédios de Assunção, capital do Paraguai, visto da outra margem do rio Paraguai

Horizonte de Assunção, capital do Paraguai, visto de Chaco'i, em 13/09/2016. Foto de arquivo: P. S. F. Freitas — CC BY-SA 4.0. A imagem não registra os fatos desta quinta. Origem da fotografia. Condição de uso.

O Ministério Público do Paraguai afirma que o Ueno Bank simulou a venda de uma carteira de créditos de US$ 74,4 milhões com dinheiro vindo da própria instituição. A informação surge no dia em que o presidente Santiago Peña renunciou em meio à crise do banco, fechado desde terça-feira (3). São afirmações do Ministério Público e da apuração em curso, ainda sem julgamento.

O que o MP descreve

  • A carteira: eram créditos que o Ueno havia concedido ao Grupo Hendy, ao Grupo M e à MOWI, empresas ligadas ao banco e investigadas por créditos irregulares. A carteira somava US$ 74,4 milhões, segundo o Banco Central do Paraguai.
  • A compradora: em 15 de junho deste ano, a carteira foi adquirida pela Vinanzas SA, empresa que o MP apurou pertencer também ao Ueno. Segundo a investigação do MP e do Banco Central, a Vinanzas tinha apenas US$ 93,8 mil em conta um dia antes da operação.
  • O dinheiro: para comprar a carteira, a Vinanzas recebeu um aporte de US$ 76,06 milhões em 15 de junho; horas depois, adquiriu os créditos do banco.

O caminho do dinheiro, segundo a imprensa paraguaia

  • Empréstimos em junho: o jornal paraguaio Última Hora relata que o Ueno repassou, em 11 de junho, US$ 10 milhões à Technoma e outros US$ 10 milhões à La Tropa Fletes e, em 15 de junho, US$ 35 milhões à HD Invest, US$ 20 milhões à Satec e US$ 6,8 milhões à Factopar.
  • Repasses: segundo o mesmo jornal, o dinheiro da HD Invest e da Satec foi direto à Vinanzas; as demais empresas teriam repassado os valores a outras companhias, inclusive ao Grupo Vázquez, sócio majoritário do Ueno, que os transferiu à Vinanzas. É uma reconstituição jornalística, que depende da confirmação da Justiça.
  • Motivo da operação: o jornal diz que o banco se desfez das empresas ligadas a ele, entre elas MOWI, Grupo Hendy, Grupo M, Tuiu, Franede e Aime, depois de ser investigado pela Procuradoria e pressionado pela Superintendência de Bancos.

O contexto

  • Oito pessoas ligadas ao Ueno foram presas, entre elas o presidente da instituição, dois vice-presidentes e o fundador. Ser preso na investigação não significa condenação.
  • O presidente do Banco Central paraguaio, Carlos Carvallo, renunciou na terça (3). Ele foi nomeado por Peña em 2023 e havia deixado a presidência do Ueno para assumir o posto.
  • Peña, que renunciou nesta quinta, foi investidor da holding do Ueno até março de 2025. Veja o acompanhamento da crise e da renúncia e a situação dos brasileiros com dinheiro retido no banco.

Foto de arquivo do horizonte de Assunção, capital do Paraguai; a imagem não registra os fatos desta quinta.

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