Economia

Governo publica MP do Imposto Seletivo; cobrança começa em fevereiro de 2027

A MP 1.399 mantém em 2027 a carga atual sobre bebidas, cigarros e veículos e dá alíquota zero a minerais; o projeto com as alíquotas de 2028 vem até maio.

Parede de azulejos brancos com as letras douradas Ministério da Fazenda e a letra P, ao lado da fachada de vidro do bloco, em Brasília
Sede do Ministério da Fazenda, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, em 27 de janeiro de 2023. Foto de arquivo: Pedro França/Agência Senado — CC BY 2.0. A imagem não registra a publicação da medida provisória. Origem da fotografia. Condição de uso.

O governo federal publicou na noite de quarta-feira (4), em edição extra do Diário Oficial da União, a Medida Provisória 1.399, que fixa as alíquotas e as regras do Imposto Seletivo para 2027. O tributo, criado pela reforma tributária, incide sobre produtos considerados prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. A proposta é manter em 2027 a carga hoje cobrada por meio do IPI e só aumentar a taxação a partir de 2028.

Como fica a cobrança em 2027

  • Regime de transição: vale até 31 de dezembro de 2027. As alíquotas de veículos, aeronaves, embarcações, cigarros, bebidas alcoólicas e bebidas açucaradas partem das atuais alíquotas do IPI, com fatores de conversão que, segundo o governo, preservam o nível efetivo de tributação.
  • Início: a cobrança está programada para 2 de fevereiro de 2027, depois do prazo de 90 dias exigido para o tributo entrar em vigor. Nesse intervalo, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o IPI continuará sendo cobrado sobre esses produtos para evitar perda de arrecadação.
  • Alíquotas noticiadas: 4,2% para a cerveja, 8% para o vinho, 2,6% para bebidas açucaradas e 66,7% mais R$ 3,50 por maço para cigarros. Para produtos fumígenos com preço tabelado, o valor de referência corresponde a 15% do preço de venda no varejo.
  • Veículos: o cálculo considera eficiência energética, tecnologia de propulsão, reciclabilidade e desempenho estrutural. Têm alíquota zero os carros comprados por pessoas com deficiência, por pessoas com transtorno do espectro autista e por taxistas que cumpram os requisitos legais, além dos classificados como sustentáveis. Caminhões e veículos de uso operacional das Forças Armadas e da segurança pública ficam fora, mas a exclusão não alcança picapes.
  • Embarcações e aeronaves: alíquota zero para as de propulsão sem emissão direta de dióxido de carbono.
  • Minerais: alíquota zero na extração até 31 de dezembro de 2027; o regime permanente depende de discussão no Congresso.
  • Pequenos produtores: há reduções para cervejarias, vinícolas e destilarias com produção anual inferior a 250 mil litros de álcool.

Arrecadação e próximos passos

A equipe econômica estima arrecadar R$ 41,9 bilhões com o Imposto Seletivo em 2027, conforme a proposta de Orçamento enviada ao Congresso. Se a receita do tributo superar o previsto, o aumento será compensado por redução na alíquota de referência da CBS, a contribuição que também começa a ser cobrada em 2027.

Medidas provisórias têm força de lei assim que publicadas, mas precisam ser aprovadas pela Câmara e pelo Senado em até 60 dias, prorrogáveis por mais 60, para virar lei definitiva; a contagem é suspensa no recesso. O governo deve enviar ao Congresso, até 31 de maio de 2027, um projeto de lei com as alíquotas definitivas, válidas a partir de 2028.

O governo também associa à medida uma proposta de emenda à Constituição para evitar a desoneração de produtos gravosos à saúde, como cigarros, durante a transição. As reportagens consultadas divergem sobre se a PEC já foi enviada ou será apresentada, e o texto dela não foi lido.

Entidades de produtores de bebidas alegam que a carga já é alta, de 40% a mais de 80% do preço, e dizem que mais impostos pressionariam margens, preços e o mercado ilegal. O Ministério da Saúde argumenta que o tabagismo custa à União R$ 153,5 bilhões por ano, ante R$ 8 bilhões arrecadados em tributos federais sobre cigarros.

Este texto se baseia nas reportagens listadas abaixo; a íntegra da MP não foi lida diretamente no Diário Oficial, e as alíquotas por produto vêm de uma das reportagens.

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