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Promessas de Lula na educação exigem ao menos R$ 7,2 bi a mais, diz reportagem

Pé-de-Meia ampliado, bolsas universitárias, institutos federais e escola em tempo integral dependem de orçamento ainda não definido; Fazenda diz que ajustes respeitarão a meta fiscal.

Letreiro dourado Ministério da Educação em parede branca do prédio, com pedestres passando na calçada
Fachada do Ministério da Educação, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, em 2015. Foto de arquivo: Marcos Oliveira/Agência Senado — CC BY 2.0. A imagem não registra o fato atual. Origem da fotografia. Condição de uso.

A próxima gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá de garantir um aporte bilionário ao Ministério da Educação (MEC) para tirar do papel as promessas feitas à área na campanha. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, publicada no domingo (1º), serão necessários ao menos R$ 7,2 bilhões extras só para financiar a expansão de bolsas a alunos do ensino médio e superior. Outras promessas ainda não têm custo estimado.

O que foi prometido

  • Pé-de-Meia para todo o ensino médio público: o programa, criado em 2024, atende cerca de 4 milhões de estudantes por ano com orçamento de R$ 12 bilhões, o equivalente a 28% da verba discricionária do MEC. O ensino médio público tem 6,3 milhões de matrículas; universalizar exigiria ao menos R$ 5 bilhões a mais por ano, o que levaria o custo a R$ 17 bilhões, e depende de mudar a lei que criou o programa, hoje restrito a alunos de baixa renda.
  • Pé-de-Meia Universitário: a ideia é atender de início 485 mil estudantes, com bolsa de R$ 700 por dez meses e poupança de R$ 2.500 ao fim de cada ano da graduação. O custo inicial previsto é de R$ 4,6 bilhões. O MEC entende que não será preciso nova lei e que o pagamento poderá ser feito pela Capes; a pasta prevê que a operação não será imediata.
  • Ciência sem Fronteiras: o MEC estuda um modelo para três públicos (vencedores de olimpíadas, alunos de graduação-sanduíche em áreas como engenharia e inteligência artificial e pesquisadores de pós-graduação em temas como defesa e minerais críticos), sem informar custo nem número de beneficiários. A versão original, criada em 2011, concedeu 104 mil bolsas ao custo de R$ 13 bilhões e foi encerrada em 2017.
  • Institutos federais: Lula quer chegar a mil campi; a rede tem hoje 755. Segundo o MEC, foram anunciadas 111 unidades e há 802 autorizadas, sem orçamento específico para a expansão.
  • Escola em tempo integral: a aposta é o Fundeb. Uma emenda constitucional obriga, desde 2025, que os entes direcionem 4% dos recursos do fundo a matrículas em tempo integral, o que representa R$ 14,8 bilhões neste ano. Hoje 25,8% dos alunos, da creche ao ensino médio, estudam nessa modalidade. Parte da infraestrutura depende de uma lei ainda em tramitação no Congresso.

O limite do orçamento

Segundo a reportagem, o cumprimento das promessas é pressionado pela escassez de recursos do MEC, pelo pacote de bondades que superou R$ 234 bilhões e por demandas de outras áreas, em meio à cobrança por ajuste nas contas. O orçamento de 2027 ainda não foi aprovado pelo Congresso: o projeto de lei prevê R$ 246 bilhões para o MEC, 6% a mais que em 2026 em valores nominais. De janeiro a setembro, a inflação acumulada do ano é de 3,95%. As promessas de maior vulto não constavam do programa de governo e foram anunciadas ao longo da campanha. Para bancar o Pé-de-Meia atual, o MEC já retirou dinheiro de outras áreas, como a educação em tempo integral e a alfabetização.

O Ministério da Fazenda respondeu que os valores não representariam, integralmente, impacto adicional no orçamento. Em nota, disse que o governo enviará ao Congresso os ajustes necessários, respeitando a meta de resultado primário e as regras do arcabouço fiscal. O Ministério do Planejamento afirmou que eventuais alterações no orçamento serão discutidas com os parlamentares.

O que dizem especialistas

O professor Naércio Menezes Filho, do Insper e da USP, avalia que será difícil obter mais recursos para a educação, que já teve incrementos relevantes, como o aumento do Fundeb: segundo ele, “não tem como expandir os gastos de maneira geral”. Ele critica a universalização do Pé-de-Meia no ensino médio e vê a educação em tempo integral como positiva, pelas evidências favoráveis. Ernesto Faria, do Iede, afirma que o governo induziu agendas importantes, como educação integral e alfabetização, mas defende que as avaliações externas sejam revisadas e que o uso dos recursos seja eficiente.

O que falta saber

Não há custo estimado para o Ciência sem Fronteiras, para os novos institutos federais nem para a universalização da escola em tempo integral. Também não está definido se o Congresso aprovará a mudança na lei do Pé-de-Meia nem como o orçamento de 2027 será ajustado. Para o contexto fiscal do próximo governo, veja a cobertura sobre o tabelamento de juros.

Nota: a reportagem da Folha de S.Paulo foi lida na íntegra às 2h14 de 2/11/2026; os números não foram conferidos em documentos do MEC ou do Congresso.

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