STF

Nunes Marques e Mendonça tentam se afastar de Flávio, diz reportagem

Indicados por Bolsonaro ao Supremo, os dois ministros buscam se descolar da carta em que o senador contesta a eleição, segundo O Globo; Nunes Marques reafirmou a legitimidade do resultado.

Montagem com retratos dos ministros do STF Nunes Marques, à esquerda, e André Mendonça, à direita
Montagem com fotos de arquivo: Nunes Marques (TSE, fev. 2025, domínio público) e André Mendonça (Luis Macedo/Câmara dos Deputados, 2019, CC BY 3.0). As imagens não registram o fato noticiado.

Os ministros Nunes Marques e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, ambos indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, têm procurado se descolar do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) depois da carta em que ele contesta o resultado da eleição, segundo reportagem de O Globo publicada na quinta-feira (29), às 15h27. O jornal diz que a carta provocou críticas até entre magistrados próximos ao bolsonarismo.

O que diz a reportagem

De acordo com O Globo, a avaliação nos bastidores do STF é que Flávio “perdeu a noção” ao divulgar o texto, que, na leitura desses ministros, ultrapassou os limites de uma contestação política e questionou a legitimidade da eleição sem apresentar provas de irregularidades. A reportagem não identifica os ministros que fazem essa avaliação.

O jornal lembra que Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), já divulgou nota em que reafirma o compromisso da Justiça Eleitoral com a vontade do eleitorado. Sem citar Flávio, ele reconheceu que houve instabilidade na reta final da votação, mas disse que as medidas adotadas e o trabalho dos técnicos permitiram concluir a apuração com segurança, e que questionamentos feitos dentro do devido processo legal serão analisados e respondidos.

O Globo escreve ainda que a reação chama atenção pelo histórico de proximidade dos dois com Bolsonaro: Nunes Marques foi o primeiro indicado dele ao Supremo, em 2020, e Mendonça, que chefiou o Ministério da Justiça e a Advocacia-Geral da União no governo Bolsonaro, foi indicado no ano seguinte. O próprio jornal ressalva, porém, que o movimento não representa necessariamente um rompimento político com a família Bolsonaro, e sim um distanciamento da estratégia adotada por Flávio depois da derrota.

O contexto

A carta foi divulgada na quarta-feira (28), quando Flávio já estava nos Estados Unidos. Na primeira versão, ele se declarava o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”; depois, alterou o texto e passou a se apresentar como “líder do Brasil”, mas manteve os questionamentos ao processo eleitoral. Ele foi derrotado por mais de 4 milhões de votos pelo presidente Lula (PT) no segundo turno. O Globo informa que, em outra reportagem, ministros de outra ala do Supremo classificaram reservadamente o episódio como “vexame”.

O que não está confirmado

  • Este portal não ouviu Nunes Marques nem Mendonça e não localizou, nos trechos lidos, manifestação pública de Mendonça sobre a carta; a informação sobre ele vem da reportagem, que cita bastidores sem identificar fontes.
  • A nota de Nunes Marques é pública e trata do resultado da eleição em geral, sem mencionar Flávio nem a carta.
  • A reportagem de O Globo foi lida por este portal; a apuração é do jornal.

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