A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado, avaliou nesta quinta-feira (29), no Relatório de Acompanhamento Fiscal de outubro, que as medidas anunciadas pela campanha do presidente Lula agravaram um quadro das contas públicas que já era delicado e vão exigir um ajuste fiscal maior do que o previsto antes. Os dados abaixo são do levantamento da IFI, na versão relatada pelo g1; o relatório completo não foi lido na íntegra pela redação.
Os números da IFI
- R$ 40 bilhões: desequilíbrio adicional no orçamento de 2027 só com o reajuste do Bolsa Família, a perda de arrecadação das bets e o pacote para microempreendedores individuais (MEIs).
- Déficit de 0,5% do PIB projetado para as contas do governo em 2026.
- Déficit primário efetivo potencial de 1% do PIB em 2027: a IFI diz que, com os novos compromissos, “é possível imaginar” esse resultado.
- Superávit primário de 2,1% do PIB seria necessário para estabilizar a relação entre dívida pública e PIB.
- Ajuste equivalente a cerca de 3 pontos do PIB, segundo a estimativa do órgão.
Outras promessas na conta
Além dessas três medidas, a IFI lembra que a campanha de Lula propôs estender o programa Pé-de-Meia ao ensino superior e isentar a tarifa de transporte coletivo nos fins de semana, o que dependeria de uma proposta de emenda à Constituição. O relatório também menciona as turbulências no mercado financeiro depois da eleição.
O que a IFI recomenda
Os diretores Marcus Pestana e Alexandre Andrade afirmam que romper o nó formado por desequilíbrio fiscal, pressões inflacionárias, juros altos e baixo crescimento deve ser a tarefa número um do futuro governo. Para a IFI, anunciar o mais rápido possível um plano consistente para os próximos quatro anos e quem comandará o Ministério da Fazenda poderia acalmar os agentes econômicos e ancorar as expectativas.
Contexto e limites
As cifras são estimativas da IFI, não decisões do governo, e o texto lido não traz resposta do Planalto ou da equipe econômica. Os números mais recentes da dívida pública estão na matéria sobre a dívida bruta de 82,9% do PIB em setembro. Uma proposta de emenda constitucional em preparação por parlamentares, que também trata do equilíbrio das contas, está na matéria sobre a PEC do Equilíbrio Fiscal.






















