Economia

IFI vê ajuste de 3 pontos do PIB após promessas da campanha de Lula

Relatório da instituição do Senado calcula R$ 40 bilhões de desequilíbrio extra em 2027 só com três medidas e diz que o plano fiscal deve vir logo.

Analistas e diretor da Instituição Fiscal Independente sentados à mesa durante reunião, com apresentação projetada ao fundo
Reunião da Instituição Fiscal Independente (IFI) com economistas, em Brasília, em 13/3/2017. Foto de arquivo: Senado Federal — CC BY 2.0. A imagem não registra o relatório desta quinta-feira nem os atuais diretores do órgão. Origem da fotografia. Condição de uso.

A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado, avaliou nesta quinta-feira (29), no Relatório de Acompanhamento Fiscal de outubro, que as medidas anunciadas pela campanha do presidente Lula agravaram um quadro das contas públicas que já era delicado e vão exigir um ajuste fiscal maior do que o previsto antes. Os dados abaixo são do levantamento da IFI, na versão relatada pelo g1; o relatório completo não foi lido na íntegra pela redação.

Os números da IFI

  • R$ 40 bilhões: desequilíbrio adicional no orçamento de 2027 só com o reajuste do Bolsa Família, a perda de arrecadação das bets e o pacote para microempreendedores individuais (MEIs).
  • Déficit de 0,5% do PIB projetado para as contas do governo em 2026.
  • Déficit primário efetivo potencial de 1% do PIB em 2027: a IFI diz que, com os novos compromissos, “é possível imaginar” esse resultado.
  • Superávit primário de 2,1% do PIB seria necessário para estabilizar a relação entre dívida pública e PIB.
  • Ajuste equivalente a cerca de 3 pontos do PIB, segundo a estimativa do órgão.

Outras promessas na conta

Além dessas três medidas, a IFI lembra que a campanha de Lula propôs estender o programa Pé-de-Meia ao ensino superior e isentar a tarifa de transporte coletivo nos fins de semana, o que dependeria de uma proposta de emenda à Constituição. O relatório também menciona as turbulências no mercado financeiro depois da eleição.

O que a IFI recomenda

Os diretores Marcus Pestana e Alexandre Andrade afirmam que romper o nó formado por desequilíbrio fiscal, pressões inflacionárias, juros altos e baixo crescimento deve ser a tarefa número um do futuro governo. Para a IFI, anunciar o mais rápido possível um plano consistente para os próximos quatro anos e quem comandará o Ministério da Fazenda poderia acalmar os agentes econômicos e ancorar as expectativas.

Contexto e limites

As cifras são estimativas da IFI, não decisões do governo, e o texto lido não traz resposta do Planalto ou da equipe econômica. Os números mais recentes da dívida pública estão na matéria sobre a dívida bruta de 82,9% do PIB em setembro. Uma proposta de emenda constitucional em preparação por parlamentares, que também trata do equilíbrio das contas, está na matéria sobre a PEC do Equilíbrio Fiscal.

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