Governos e políticos de vários países reagiram, na manhã desta quarta-feira (4), à vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, com críticas à política externa de Donald Trump, alertas sobre o comércio e manifestações de que a relação com Washington continua. São declarações de autoridades e de políticos de oposição, não decisões de governo, e o resultado ainda se baseia em projeções de veículos de imprensa.
Europa
- Espanha: o primeiro-ministro Pedro Sánchez disse, em publicação na rede X, que os eleitores americanos votaram contra políticas que, na avaliação dele, empobrecem as pessoas, e comparou o resultado ao do Brasil, afirmando que o mesmo acontecerá em breve na Espanha.
- Noruega: o primeiro-ministro Jonas Gahr Støre disse a uma agência de notícias que o resultado é um sinal de mudança entre os eleitores e que surgem vozes na política americana mais próximas das posições norueguesas em clima, política externa e ajuda ao desenvolvimento.
- União Europeia: a vice-presidente do Parlamento Europeu, Christel Schaldemose, afirmou que a vitória democrata pode favorecer o apoio à Ucrânia e a transição energética, mas defendeu que o bloco continue a reforçar a própria autonomia. Bernd Lange, presidente da Comissão de Comércio Internacional, chamou o resultado de “golpe devastador” para Trump, alertou que um presidente enfraquecido pode ficar mais imprevisível e disse que a União Europeia deve estar preparada para defender seus interesses diante do protecionismo americano.
- França: o ministro das Finanças, Roland Lescure, afirmou que Trump precisará decidir se muda de postura diante da preocupação dos eleitores com o preço dos combustíveis e com o envolvimento externo dos EUA. Jordan Bardella, presidente do partido de oposição Reunião Nacional, disse que o resultado das urnas deve ser respeitado e ligou a política americana para o Irã à alta do petróleo e à perda de poder de compra dos europeus.
- Alemanha: Alice Weidel, co-líder da AfD, disse que a promessa de Trump de evitar uma política externa intervencionista prejudicou os republicanos; Ines Schwerdtner, co-líder do Partido de Esquerda, falou em “derrota esmagadora para a direita global”.
- Bélgica, Grécia e República Tcheca: o ministro da Defesa belga, Theo Francken, disse que a polarização pode dificultar a governabilidade e que acompanhará comércio, Ucrânia e Otan; o porta-voz do governo grego, Pavlos Marinakis, afirmou que a relação bilateral seguirá forte; o primeiro-ministro tcheco, Andrej Babiš, previu um período de paralisia política nos EUA, com disputas sobre impeachment e vetos.
Rússia e Irã
O vice-ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Ryabkov, disse que Moscou acompanhará a conclusão da apuração, mas não espera mudança em sua política externa; segundo ele, a posição sobre a Ucrânia não depende de mudanças políticas em outros países. No Irã, o presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que os americanos disseram “não à guerra”, mensagem que, segundo ele, o governo americano não deveria ignorar (leia mais).
Ásia e África
O Ministério das Relações Exteriores de Taiwan disse que pretende manter e ampliar a cooperação com os EUA, independentemente do resultado. No Japão, o secretário-chefe do Gabinete, Minoru Kihara, afirmou que a aliança com Washington continua sendo a pedra angular da política externa e de segurança do país. O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, disse a jornalistas que a eleição pode inaugurar uma nova etapa nas relações internacionais.
O que ainda está em aberto
As falas refletem interesses e posições de cada governo ou partido; nenhuma delas altera, por si só, tarifas, alianças ou o apoio à Ucrânia. Trump disse que aceitará o resultado e que pretende vetar projetos que considerar inaceitáveis (leia mais). Para o placar da Câmara e do Senado e o que muda com ele, veja a cobertura completa das midterms; sobre o impeachment, a conta dos 67 votos no Senado.






















