Brasil

Flávio diz que levará para o túmulo como deixou o Brasil

Em entrevista ao New York Times, o senador nega ajuda de governos estrangeiros e diz esperar que a prisão seja o desfecho no Brasil. Reportagens anteriores apontam apoio de aliados de Trump.

Flávio Bolsonaro, de terno azul e gravata clara, olha para a câmera cercado por microfones de emissoras durante entrevista no Senado.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) concede entrevista no Senado, em 30/4/2026. Foto de arquivo: Senado Federal — CC BY-SA 4.0. A imagem não registra a entrevista ao jornal americano. Origem da fotografia. Condição de uso.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse, em entrevista de 75 minutos ao jornal americano The New York Times, que levará “para o túmulo” a forma como deixou o Brasil e chegou aos Estados Unidos. Ele afirmou que organizou a viagem sozinho, sem ajuda de nenhum governo. A negativa contrasta com reportagens anteriores, que apontam participação de aliados de Donald Trump e de Javier Milei na operação.

O que Flávio disse

  • Sobre a saída do país: segundo o senador, a decisão foi tomada na manhã seguinte à derrota para Lula, em 25 de outubro, e combinada apenas com a mulher. “Não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo”, afirmou. Admitiu que pode ter havido “algum incentivo” de amigos no exterior, “mas nada além disso”.
  • Sobre a Justiça: disse acreditar que seria preso se ficasse no Brasil: “Já sei que o desfecho final será a minha prisão”. Reafirmou que é inocente e chamou o Judiciário de excessivamente zeloso e movido por interesses políticos.
  • Sobre o futuro: disse que pretende continuar atuando politicamente a partir dos Estados Unidos e espera que a estadia seja temporária. Não descartou voltar para disputar uma eleição: “Se houver novas eleições, obviamente serei candidato novamente”.
  • Sobre a eleição: segundo o relato, continuou a levantar alegações de fraude no pleito de 2026, que o jornal classifica como infundadas.

O que já foi relatado e ele nega

O New York Times e o Wall Street Journal haviam informado que o jato usado por Flávio foi providenciado por Jason Miller, conselheiro de Trump, e que a entrada dele nos Estados Unidos foi autorizada diretamente pelo presidente americano, segundo autoridades dos EUA ouvidas pelo jornal. O argentino Clarín noticiou que Santiago Caputo, assessor de Milei, esteve em Puerto Iguazú durante a passagem do senador. São relatos de imprensa com fontes não identificadas, e Flávio os nega.

O contexto

  • Flávio deixou o Brasil depois de uma ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, para entregar os passaportes, expedida em investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro. O prazo não foi cumprido.
  • Ele chegou a Miami em 28 de outubro, depois de passar pela Argentina. No mesmo dia, divulgou uma carta em que se declarou o “verdadeiro presidente eleito”; uma nova versão trocou a expressão por “líder do Brasil”.
  • Nesta quinta (5), o senador discursa na CPAC, em Mar-a-Lago: veja o que se sabe sobre o primeiro evento público dele nos EUA.

Foto de arquivo de Flávio Bolsonaro em entrevista no Senado, em abril; a imagem não registra a conversa com o jornal.

Últimas

Em perspectiva

Mais notícias