EUA

Líderes mundiais reagem à vitória democrata nos EUA; Irã vê voto contra a guerra

Governos e políticos da Europa, da Ásia, da África e da Rússia comentaram o resultado das eleições de meio de mandato; as falas são declarações, não mudanças de política.

Montagem de dois retratos lado a lado: à esquerda, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez; à direita, o primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre.
Montagem com retratos de Pedro Sánchez (Espanha) e Jonas Gahr Støre (Noruega). Fotos de arquivo: Sánchez, La Moncloa – Gobierno de España, 2021 (atribuição); Støre, Torbjørn Kjosvold/SMK, abril de 2026 (CC BY 4.0). As imagens não registram as reações às eleições dos EUA. Origem da foto de Sánchez. Origem da foto de Støre. Condição de uso (CC BY 4.0).

Governos e políticos de vários países reagiram, na manhã desta quarta-feira (4), à vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, com críticas à política externa de Donald Trump, alertas sobre o comércio e manifestações de que a relação com Washington continua. São declarações de autoridades e de políticos de oposição, não decisões de governo, e o resultado ainda se baseia em projeções de veículos de imprensa.

Europa

  • Espanha: o primeiro-ministro Pedro Sánchez disse, em publicação na rede X, que os eleitores americanos votaram contra políticas que, na avaliação dele, empobrecem as pessoas, e comparou o resultado ao do Brasil, afirmando que o mesmo acontecerá em breve na Espanha.
  • Noruega: o primeiro-ministro Jonas Gahr Støre disse a uma agência de notícias que o resultado é um sinal de mudança entre os eleitores e que surgem vozes na política americana mais próximas das posições norueguesas em clima, política externa e ajuda ao desenvolvimento.
  • União Europeia: a vice-presidente do Parlamento Europeu, Christel Schaldemose, afirmou que a vitória democrata pode favorecer o apoio à Ucrânia e a transição energética, mas defendeu que o bloco continue a reforçar a própria autonomia. Bernd Lange, presidente da Comissão de Comércio Internacional, chamou o resultado de “golpe devastador” para Trump, alertou que um presidente enfraquecido pode ficar mais imprevisível e disse que a União Europeia deve estar preparada para defender seus interesses diante do protecionismo americano.
  • França: o ministro das Finanças, Roland Lescure, afirmou que Trump precisará decidir se muda de postura diante da preocupação dos eleitores com o preço dos combustíveis e com o envolvimento externo dos EUA. Jordan Bardella, presidente do partido de oposição Reunião Nacional, disse que o resultado das urnas deve ser respeitado e ligou a política americana para o Irã à alta do petróleo e à perda de poder de compra dos europeus.
  • Alemanha: Alice Weidel, co-líder da AfD, disse que a promessa de Trump de evitar uma política externa intervencionista prejudicou os republicanos; Ines Schwerdtner, co-líder do Partido de Esquerda, falou em “derrota esmagadora para a direita global”.
  • Bélgica, Grécia e República Tcheca: o ministro da Defesa belga, Theo Francken, disse que a polarização pode dificultar a governabilidade e que acompanhará comércio, Ucrânia e Otan; o porta-voz do governo grego, Pavlos Marinakis, afirmou que a relação bilateral seguirá forte; o primeiro-ministro tcheco, Andrej Babiš, previu um período de paralisia política nos EUA, com disputas sobre impeachment e vetos.

Rússia e Irã

O vice-ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Ryabkov, disse que Moscou acompanhará a conclusão da apuração, mas não espera mudança em sua política externa; segundo ele, a posição sobre a Ucrânia não depende de mudanças políticas em outros países. No Irã, o presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que os americanos disseram “não à guerra”, mensagem que, segundo ele, o governo americano não deveria ignorar (leia mais).

Ásia e África

O Ministério das Relações Exteriores de Taiwan disse que pretende manter e ampliar a cooperação com os EUA, independentemente do resultado. No Japão, o secretário-chefe do Gabinete, Minoru Kihara, afirmou que a aliança com Washington continua sendo a pedra angular da política externa e de segurança do país. O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, disse a jornalistas que a eleição pode inaugurar uma nova etapa nas relações internacionais.

O que ainda está em aberto

As falas refletem interesses e posições de cada governo ou partido; nenhuma delas altera, por si só, tarifas, alianças ou o apoio à Ucrânia. Trump disse que aceitará o resultado e que pretende vetar projetos que considerar inaceitáveis (leia mais). Para o placar da Câmara e do Senado e o que muda com ele, veja a cobertura completa das midterms; sobre o impeachment, a conta dos 67 votos no Senado.

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