As pesquisas apontam vantagem dos democratas nas eleições de meio de mandato de terça-feira (3), mas há motivos para cautela, segundo reportagem da BBC News Brasil escrita por correspondente da BBC News na América do Norte e publicada nesta segunda (2). Pesquisa é retrato do momento, não resultado: o texto lembra casos em que as urnas diferiram do que os institutos mediram, sem concluir que as pesquisas atuais estejam erradas.
O que dizem as pesquisas
Segundo os levantamentos citados, os democratas lideram em um número de distritos bem superior às 218 cadeiras necessárias para controlar a Câmara dos Representantes. Nas principais disputas pelo Senado, os candidatos do partido aparecem empatados ou com pequena vantagem. Pesquisa do New York Times apontou empate na Carolina do Sul, onde Trump venceu a democrata Kamala Harris por 18 pontos em 2024, e levantamentos da CNN mostram os democratas à frente no Texas, no Kansas e no Maine. Veja também o levantamento do NYT e da Universidade Siena nos sete estados decisivos e a pesquisa Reuters/Ipsos.
Onde as pesquisas já erraram
A reportagem recorda que Trump teve desempenho melhor do que o apontado pelas pesquisas ao vencer em 2016 e em 2024. Em 2020, perdeu por margem pequena, embora a maioria dos levantamentos indicasse vitória mais folgada de Joe Biden. Neste ano, nas prévias, pesquisas indicavam que o democrata Abdul El-Sayed venceria a disputa para o Senado em Michigan por ao menos dez pontos, mas a diferença apurada foi de apenas um ponto; em Wisconsin, um candidato ao governo que liderou por quase 20 pontos acabou derrotado por menos de um ponto.
Clifford Young, presidente da Ipsos Public Affairs, afirma que as prévias sempre foram imprevisíveis, porque muitos eleitores decidem na última hora, e que esses resultados não devem ser lidos como sinal de que as pesquisas para a eleição geral estejam erradas.
Por que ficou mais difícil medir
Segundo Young, o abandono dos telefones fixos e o hábito de filtrar chamadas tornam mais complicado alcançar os americanos, e muitos dos que atendem estão menos dispostos a participar. Ele afirma que conservadores, sobretudo de extrema direita, tendem a rejeitar mais as instituições e a não participar de pesquisas. A reportagem explica que, se os eleitores republicanos estiverem sistematicamente sub-representados e os institutos não corrigirem isso nos modelos, o resultado pode pender a favor dos democratas.
Também é mais difícil estimar quem realmente vai votar. Uma das explicações possíveis para Trump ter superado as expectativas é que seus apoiadores, muitos sem o hábito de votar, compareceram em número maior do que o previsto. Na maioria dos levantamentos de institutos respeitados, porém, a diferença entre o projetado e o resultado foi de poucos pontos, o que, numa disputa acirrada, pode decidir quem vence. Várias das principais disputas do Senado estão nessa faixa de diferença pequena.
Por que o partido pode não repetir o histórico
O partido na oposição costuma se sair bem no meio do mandato, mas a reportagem lista motivos para que o desempenho democrata fique aquém do que a baixa popularidade de Trump sugere: boa parte das regiões em disputa deu vitória folgada a Trump há dois anos; o redesenho de distritos (gerrymandering) reduziu o número de cadeiras que costumam trocar de partido; a polarização diminuiu o número de eleitores dispostos a mudar de preferência; e os republicanos têm vantagem financeira e puderam pagar centenas de milhões de dólares em propaganda contra adversários nas últimas semanas. Em 2022, lembra o texto, os democratas perderam a Câmara por diferença pequena e mantiveram o Senado, e as pesquisas haviam indicado que evitariam uma derrota esmagadora.
O que falta saber
Mesmo que as pesquisas apresentem distorções semelhantes às das últimas eleições presidenciais, os números ainda indicam bom desempenho democrata em 3 de novembro, observa a reportagem, e os erros podem favorecer qualquer um dos partidos: nas eleições estaduais e especiais do ano passado, os democratas tiveram resultados melhores que os apontados pela maioria dos levantamentos, porque seus eleitores compareceram mais que o esperado. Young resume: “Acho que estamos fazendo um trabalho melhor”, mas lembra que o desafio inclui lidar com seres humanos. O resultado só sai com a apuração: veja como funciona a contagem e o panorama completo das midterms.
Texto publicado em 2 de novembro, às 22h, com base em reportagem da BBC News Brasil publicada às 9h do mesmo dia e lida na íntegra às 22h. Falas são atribuídas ao entrevistado; pesquisas são retratos de um momento e têm margem de erro.






















