EUA

Vitória democrata nas midterms pode reabrir cenário de impeachment

Aprovar o impeachment exige maioria simples na Câmara, mas a condenação precisa de dois terços do Senado; nos dois processos anteriores, Trump foi inocentado.

Vista de cima do plenário da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, com fileiras de bancadas em arco, tapete azul e a bandeira americana ao fundo
Plenário da Câmara dos Representantes dos EUA, no Capitólio, em Washington. Foto de arquivo (2017): Câmara dos Representantes dos EUA — domínio público. A imagem não registra o impeachment nem a eleição de 2026. Origem da fotografia.

O terceiro impeachment de Donald Trump pode estar entre as consequências de uma derrota republicana nas eleições de meio de mandato, nesta terça-feira (3), segundo texto da correspondente da CNN Brasil em Washington, Mariana Janjácomo. É um cenário condicionado ao resultado das urnas, não uma decisão: a reportagem explica o que a lei americana permite e o que dependeria da composição do Congresso.

Como funciona nos EUA

Ao contrário do que ocorre no Brasil, aprovar o impeachment não equivale a afastar o presidente. Pela legislação americana, basta votação por maioria simples na Câmara dos Representantes para aprovar o processo, mas a remoção do cargo só acontece com condenação por dois terços do Senado, segundo a reportagem. Nos dois impeachments que já sofreu, Trump foi inocentado pelos senadores.

Por que as duas Casas importam

O professor Hans Noel, da Universidade de Georgetown, disse à CNN que, se os democratas quiserem responsabilizar o governo, é preciso ter maioria na Câmara e supermaioria no Senado, e que por isso as duas Casas contam. Ele também lembrou que elas têm papéis distintos: cabe aos deputados elaborar projetos de lei de tributação, e aos senadores aprovar as indicações do presidente para diversos cargos.

O próprio Trump já demonstrou preocupação. Em evento com republicanos do Congresso em janeiro, segundo a reportagem, afirmou que, se o partido perder, “eles vão encontrar um jeito de fazer um impeachment”.

O que está em jogo

As midterms colocam em disputa os 435 assentos da Câmara e um terço do Senado. A reportagem observa que, em 20 das últimas 22 eleições de meio de mandato, o partido do presidente perdeu cadeiras na Câmara, e que a situação no Senado depende dos estados em disputa a cada dois anos. A aprovação de Trump, que chegou a 32% em outubro, segundo a Reuters/Ipsos, aponta para vitória da oposição, mas os democratas enfrentam problemas, principalmente por causa da fragmentação do partido, de acordo com o texto.

Quanto maior a presença da oposição no Congresso, menor a governabilidade do presidente, ou seja, mais dificuldade para implementar suas medidas. A tendência, segundo a reportagem, é um cenário parecido com o da segunda metade do primeiro governo Trump, quando os democratas travavam projetos e abriram investigações sobre o governo federal, o que resultou nos processos de impeachment.

O que falta saber

Nada foi votado, e o resultado depende da apuração, que é feita por cada estado e pode levar dias; veja como funciona a contagem. Para controlar o Senado, os democratas precisam virar quatro cadeiras: veja as oito disputas decisivas. A Casa Branca já prepara decretos para o caso de perder o Congresso, e o panorama completo das midterms está atualizado.

Texto publicado em 2 de novembro, às 22h, com base em texto da CNN Brasil publicado às 10h do mesmo dia e lido na íntegra às 22h. Falas e avaliações são atribuídas aos entrevistados e à reportagem; a aprovação de 32% é pesquisa de um instituto, retrato de um momento.

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