O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, negou nesta segunda-feira (2) que exista no governo ou tenha existido na campanha de Lula qualquer proposta de tabelar os juros, e disse que o presidente só começa a discutir o quarto mandato a partir de terça-feira (3), segundo o g1. A negativa veio no mesmo dia em que a deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) saiu em defesa da ideia do economista André Lara Resende e criticou a reação do mercado financeiro.
O que disseram Mercadante e Durigan
Segundo o g1, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, também negou que estejam em avaliação propostas como tabelar a Selic ou queimar reservas cambiais para compensar uma eventual saída de capitais, e afirmou que não há agenda de Lula com Lara Resende. Durigan diz que vários economistas se colocaram à disposição para conversar com o presidente e com Mercadante, mas nada está marcado. Mercadante repetiu a negativa e disse, ao g1, que o presidente definirá a equipe econômica, que irá estabelecer os diálogos. A informação sobre um possível encontro foi publicada antes pelo jornal O Globo, segundo o g1; Os Poderes não leu a publicação original. Sobre a negativa de Durigan no domingo, veja Durigan diz que tabelamento de juros não está na mesa de Lula.
A resposta de Gleisi
Em publicações nas redes sociais, relatadas pelo g1, Gleisi defendeu o artigo de Lara Resende como “fundamental” para enfrentar a ofensiva sobre a política fiscal e criticou a repercussão negativa no mercado financeiro da possibilidade de encontro, dizendo que ele tem o “DNA do autoritarismo”. Ela afirmou ainda que é normal Lula ouvir quem não está comprometido com a Faria Lima e que os adversários não devem achar que o presidente fará o que chamou de estelionato eleitoral que alguns defendem. As declarações são da deputada e não representam posição do governo.
O que Lara Resende propõe
Em publicação do fim de setembro, o economista propõe um novo arranjo entre as políticas fiscal e monetária para reduzir a Selic, hoje em 13,75% ao ano, segundo o g1. Um Conselho Fiscal e Monetário Nacional definiria metas para quatro ou cinco anos, e o Banco Central reduziria gradualmente o juro, ao longo de cerca de 12 meses, até perto de 7,5% ao ano, a taxa de crescimento nominal potencial mais um spread transitório de 2 pontos, a ser reduzido depois. O artigo critica o nível atual dos juros e diz que é preciso vencer “preconceitos” de uma teoria considerada anacrônica.
O que falta saber
Lula, que derrotou Flávio Bolsonaro (PL), ainda não definiu a equipe econômica, e a reportagem registra que ele se manteve recolhido para descansar a voz. Antes, o coordenador do plano econômico de Lula, Gabrielli, já havia elogiado a proposta; veja Gabrielli defende “ajuste progressivo” sem “austeridade” e elogia Lara Resende.






















