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Rueda discutiu com Vorcaro acordo para comprar a BRB Financeira, diz coluna

Mensagens extraídas pela PF do celular do dono do Master mostram o presidente do União Brasil tratando de termos do negócio, segundo coluna; Rueda diz ter atuado como advogado.

Fachada do Edifício Brasília, com o letreiro do BRB, em Brasília
Edifício do BRB, em Brasília, em 31/10/2019. Foto de arquivo: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília — CC BY 2.0. A imagem não registra os fatos descritos na matéria. Origem da fotografia. Condição de uso.

O presidente do União Brasil, Antonio Rueda, teria discutido com o então dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, os termos de um acordo para que um empresário aliado comprasse metade da BRB Financeira, braço do banco estatal de Brasília, conforme relato publicado nesta quarta-feira (4). O relato descreve diálogos entre os dois extraídos do celular de Vorcaro pela Polícia Federal. A venda foi cancelada depois, após questionamentos do Banco Central e a crise do Master.

O que é relatado sobre as mensagens

  • Rueda e Vorcaro teriam se encontrado pessoalmente ao menos duas vezes durante as negociações, em suas casas no Lago Sul, em Brasília.
  • Em 1º de julho de 2024, Rueda enviou a Vorcaro um trecho de “acordo com acionistas” do BRB. Vorcaro sugeriu um ajuste para constar a outorga de poderes para operações financeiras e de crédito.
  • O objetivo, conforme o relato, seria garantir que o grupo do empresário José Ricardo Lemos Rezek, amigo de Rueda, tivesse maioria de votos no conselho da companhia mesmo com 49% do capital.
  • Quatro dias depois dessa conversa, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, anunciou ao mercado uma “parceria estratégica” com o consórcio de Rezek. O negócio só seria concretizado em março de 2025, na mesma época em que o BRB anunciou a compra do Master.

O negócio

O consórcio de Rezek se comprometeu a pagar R$ 320 milhões em dez parcelas anuais. Segundo fontes do banco citadas no relato, os lucros da financeira giravam em torno de R$ 90 milhões por ano, o que, pelo cálculo apresentado, faria a compra sair “de graça”. Costa foi indiciado pela PF na quarta-feira (28) no inquérito sobre fraudes em carteiras de crédito do Master vendidas ao BRB.

As respostas

Rueda, deputado federal eleito, afirmou que sua atuação em todas as questões relativas ao Master “limitou-se à assessoria jurídica, sempre na condição de advogado”, dentro dos limites legais, e que as comunicações com clientes são protegidas por sigilo profissional. Ele não esclareceu as mensagens sobre Costa e sobre Augusto Lima, então sócio de Vorcaro no Master, nas declarações publicadas. Oficialmente, Rueda não tinha relação com a transação.

Rezek afirmou em nota que jamais tratou de assunto da BRB Financeira com Rueda e Vorcaro, que a decisão de entrar na sociedade foi empresarial e que desistiu após análises mercadológicas e técnicas. A defesa de Vorcaro, preso desde março, disse que não vai se manifestar sobre as mensagens.

Limites da informação

O portal não teve acesso às mensagens nem ao material da PF. O relato e as respostas publicadas não indicam denúncia ou acusação formal contra Rueda ou Rezek por essa negociação.

Foto de arquivo: sede do BRB em Brasília, 2019. A imagem não registra os fatos descritos.

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