EUA

Com Congresso de oposição, impeachment de Trump esbarra nos 67 votos do Senado

Com a nova maioria democrata, a Câmara poderia abrir um terceiro processo contra o presidente, mas a condenação exige dois terços do Senado, e os democratas têm 54 cadeiras.

Fotografia em preto e branco do plenário do Senado dos EUA, com carteiras em semicírculo e a galeria ao fundo
Plenário do Senado dos EUA, no Capitólio, em 1920. Foto de arquivo (recorte): National Photo Company/Biblioteca do Congresso — domínio público. A imagem não registra os fatos atuais. Origem da fotografia.

A vitória democrata nas eleições legislativas de meio de mandato reabre a pergunta sobre um terceiro impeachment de Donald Trump. A nova maioria na Câmara pode, em tese, aprovar as acusações, mas o afastamento depende de dois terços do Senado, o equivalente a 67 dos 100 votos. Os democratas tinham 54 cadeiras na apuração até a manhã desta quarta-feira (4), com possibilidade de chegar a 56, segundo projeções divulgadas até então.

Como funciona o processo nos EUA

As acusações, chamadas de artigos do impeachment, são apresentadas ao plenário da Câmara dos Representantes. Se a maioria simples dos 435 deputados aprovar um ou mais artigos, o presidente sofre o impeachment formalmente, mas continua no cargo até o julgamento no Senado, diferentemente do que ocorre no Brasil. No Senado, a condenação e a remoção exigem dois terços dos votos.

O histórico

  • Trump sofreu dois impeachments na Câmara durante o primeiro mandato (2017–2021): em dezembro de 2019, por abuso de poder e obstrução do Congresso no caso da Ucrânia, e depois por incitação à insurreição de 6 de janeiro de 2021. Foi absolvido pelo Senado nas duas vezes.
  • Andrew Johnson e Bill Clinton também tiveram o impeachment aprovado na Câmara e foram absolvidos pelo Senado.
  • Richard Nixon renunciou em 9 de agosto de 1974, antes de a Câmara votar formalmente as acusações.

O que dizem os analistas

Os especialistas citados na cobertura consideram improvável que um novo processo termine em afastamento. O cientista político Carlos Gustavo Poggio, professor do Berea College, no Kentucky, lembra que a remoção de um presidente por dois terços do Senado nunca ocorreu na história americana e vê o cenário como “bastante distante”. Maurício Santoro, professor da Uerj, diz que seria preciso conquistar uma parcela profunda dos republicanos, o que dependeria de um grande escândalo que atingisse Trump.

A analista Sandra Cohen afirma que um terceiro pedido não está descartado, mas o considera precipitado, porque esbarraria no Senado, como nos casos anteriores.

Limites da informação

A reportagem trata de uma possibilidade, não de um processo em curso: ela não relata que artigos de impeachment tenham sido apresentados. A contagem final do Senado ainda pode mudar.

Foto de arquivo: plenário do Senado dos EUA em 1920. A imagem não registra os fatos atuais.

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